Caminhoneiros param porto de novo
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quarta-feira, 14 de abril de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os caminhoneiros fecharam novamente o pátio de triagem do Porto de Paranaguá no final da tarde de ontem. Eles ficaram indignados com a nova fila que vem se formando ao longo da BR-277 desde segunda-feira. A fila de caminhões chegou ontem a 103 quilômetros, alcançando o Contorno Leste, em Curitiba. Anteontem, a fila era de 130 quilômetros e chegou ao Contorno Sul, perto do município de Campo Largo.
O bloqueio do pátio foi mais um fator de turbulência no porto, provocado pelas chuvas torrenciais que caíram em Paranaguá no último fim de semana. De acordo com o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, as chuvas provocaram inundações que paralisaram as moegas do porto. Todas ficaram entupidas de água.
Além disso, o porto teve problemas adicionais como falta de energia elétrica, de água e telefone. A superintendência baixou uma medida administrativa, mas os operadores portuários e empresas exportadoras não deixaram de enviar caminhões carregados para o porto, provocando a fila.
Para o superintendente do porto, um novo locaute dos empresários e operadores portuários está em curso porque a resistência às medidas administrativas adotadas por ele é enorme. Eduardo Requião disse que na segunda-feira somente o silo público trabalhou, os terminais não conseguiram operar em decorrência da inundação. Ontem, estavam funcionando o porto e quatro terminais privados. ''Mesmo funcionando com 50% da capacidade, o porto conseguiu embarcar 51 mil toneladas de produtos'', salientou o superintendente.
Na segunda-feira, um dia após o ''dilúvio'' sobre Paranaguá, o porto não conseguiu operar. Na terça-feira, retomou às atividades em ritmo lento quando conseguiu embarcar 38 mil toneladas. Nesse período os terminais privados suspenderam as operações. A Cargill parou por 24 horas; o terminal da CBL parou por 48 horas; a Cotriguaçu parou por 33 horas; a Coamo parou por 23 horas; a Socepar parou por quatro dias para reparos; a Bunge parou por 12 horas e a Coinbra não enviou informações para a Appa.
O manifesto dos caminhoneiros não tem o apoio do Sindicato dos Caminhoneiros Autonômos do Paraná e nem da superintendência do porto. Os caminhoneiros que aceitaram transportar a carga com contrato que previa o pagamento de R$ 0,20 por tonelada/hora se arrependeram. Com a demora na fila, agora querem o pagamento de R$ 0,40 a t/hora como vigorou na paralisação anterior.


