A partir de hoje, os caminhoneiros que ficarem parados na fila de caminhões ao longo da BR-277 à espera para descarregar no Porto de Paranaguá vão receber diárias, no valor de R$ 0,25 a tonelada/hora, que serão pagas após o período de duas horas que o caminhão passar na praça de pedágio da rodovia 277. O pagamento será feito pelas operadoras que estão embarcando soja.
A decisão foi tomada ontem pela manhã, após manifestação dos caminhoneiros que paralisaram as operações no pátio de triagem do terminal de Paranaguá, durante a noite de segunda para terça-feira. Os caminhoneiros fecharam os portões do pátio de triagem e, durante 13 horas, impediram a entrada ou saída de veículos.
Eles já estão ficando uma média de 48 horas parados na fila e, por isso, reivindicaram o pagamento de diárias. ''Essa é a única época que o caminhoneiro tem para ganhar um extra e não é justo ficar na fila parado dois dias, sem poder aproveitar o período de pico da safra'', disse Neuri Leobet, líder dos caminhoneiros no Paraná e coordenador do movimento Brasil União dos Caminhoneiros nos Campos Gerais e em Curitiba.
O valor das diárias, já estabelecido, pode gerar uma nova manifestação hoje. É que o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar), o Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná e os representantes dos operadores portuários e dos embarcadores de carga se reúnem para rever a tabela.
De acordo com Rui Cichella, presidente do Setcepar, a tabela de R$ 0,25 é de 2001 e não foi reajustada porque no ano passado não teve fila. ''Este ano, a reivindicação é que a tabela seja reajustada para R$ 1,75 a tonelada/hora'', salientou. Para Leobet, Cichella está querendo tumultuar o entendimento com a direção do porto, que está coordenando as reuniões, ''e por isso estão pedindo este valor alto'', disse.
Cichella defende que o valor das diárias deve ser rateado entre as embarcadoras da carga na origem e as empresas operadoras no porto. Segundo ele, essas empresas estão utilizando os caminhões como armazéns e têm que pagar por isso. O fato é que o Paraná está colhendo uma safra recorde de soja (estimada em 10,5 milhões de toneladas), e os embarcadores querem acelerar a colheita para mandar para o porto.
Com isso, não estão preocupados em fazer nenhuma programação para enviar a soja para Paranaguá, disse Cichella. ''Eles embarcam a soja e mandam os caminhões para o porto'', destacou. ''A punição para essa falta de programação deve ser o pagamento de uma diária reajustada'', emendou.

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