Cerca de 500 caminhoneiros que aguardavam o despacho de carga invadiram ontem, pela manhã, a Estação Aduaneira de Interior (Eadi) de Foz do Iguaçu, desarmaram os seguranças e ocuparam o pátio, exigindo o fim imediato da operação-padrão dos funcionários da Receita Federal, iniciada na quarta-feira e programada para terminar ontem.
O tumulto começou depois que Celso Moura, 35 anos, caminhoneiro de Palmeira das Missões (RS), irritado com a espera de três dias para a liberação de sua carga de trigo, avançou com sua carreta contra o portão de entrada do pátio.
Os seguranças decidiram conter os ânimos atirando para cima, provocando a revolta dos outros caminhoneiros que estavam na parte externa da Eadi. Depois da invasão, os manifestantes decidiram bloquear a entrada e a saída de caminhões, provocando uma fila de três quilômetros, formada por 150 veículos. Segundo a RF, outros 800 caminhões estavam estacionados no interior da Eadi ontem.
Sob a justificativa de que seus funcionários corriam risco de agressão, a Receita Federal solicitou à Polícia Militar e à Polícia Federal que enviasse homens e veículos ao local. No final da manhã, o prédio da administração já estava protegido por 30 policiais e 15 seguranças.
À tarde, uma comissão eleita pelos caminhoneiros, representantes da Receita e da Polícia Federal participaram de uma reunião que se estendeu por duas horas e meia. As partes não chegaram em um acordo e os funcionários da Receita continuaram liberando apenas cargas perecíveis, incluindo farelo e soja. Até o final da tarde, os caminhoneiros continuavam obstruindo a entrada e a saída do pátio.
Sem reajuste salarial há quatro anos, auditores fiscais e técnicos da Receita Federal estão em campanha desde abril para aumento de 53% nos salários e para a aprovação de um novo plano de carreira. A intenção das duas categorias é realizar a cada semana um dia de protesto, através de uma fiscalização mais rigorosa nas aduanas e na Eadi, conhecida como operação-padrão.Ney de SouzaConfrontoTumulto ontem na Codapar, lotada de caminhões à espera de liberação, exigiu a presença da PMLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha

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