Caminhoneiros do Mercosul fecharam ontem por mais de três horas a fronteira entre Brasil e Argentina, em Foz do Iguaçu, protestando contra a demora na liberação de cargas de importação para o País. Anteontem, os computadosres ligados ao Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) da Aduna brasileira ficaram fora do ar e nenhuma carga foi liberada.
Logo pela manhã, os caminhoneiros entraram na sala da chefe de Seviços Aduaneiros, Márcia Helena Martins, reinvindicando a liberação mais rápida das cargas. Sem sucesso, eles deciram bloquear a entrada dos dois países. A fronteira ficou fechada das 9h30 às 12h15.
Cerca de 400 caminhoneiros participaram do protesto. Eles atravessaram carretas na saída do Brasil e impediram a passagem de veículos. Minutos depois, decidiram liberar a entrada e saída de carros de passeio, mas mantiveram o bloqueio a caminhões e ônibus.
A Receita pediu reforço policial para liberar as pistas. Agentes federais arrobaram a trava dos caminhões e desobstruiram o bloqueio por volta do meio dia. No episódio, dois caminhoneiros foram presos e liberados somente depois do protesto.
Os manifestantes reclamavam também da falta de infra-estrutura no local. A liberação de caminhões está demorando, em média, três dias. Segundo eles, em outubro do ano passado, a Receita Federal agilizou a liberação e a demora era de um dia. ‘‘Fazíamos até três viagens por semana. Mas, desde janeiro, a burocracia voltou’’, reclama o caminhoneiro Wilson Esmeraldo.
Na semana passada, por causa da demora, um carregamento de 27 toneladas de peixes vindos da Argentina estragou. Toda a carga foi mandada de volta. Ontem, o caminhoeiro Juan Peralta enfrentava o mesmo problema. Ele está com o carregamento de 20 toneladas de cenouras prestes a apodrecer.
Sem banheiro e restaurantes na região, os caminhoneiros desengatavam a carreta dos caminhões e entravam em Foz do Iguaçu somente com a parte dianteira dos veículos. Eles aproveitavam para tomar banho e comer.
Os motoristas estão revoltados desde a quarta-feira, quando a Receita Federal proibiu o desengate de carretas e as manobras no páteo da aduana. ‘‘Não temos banheiro e somos obrigados a ficar até três dias. Quando protestamos, nós vamos presos’’, diz o caminhoneiro Luiz Carlos Miotto, que ficou detido por duas horas numa sala da PF dentro da Aduana.

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