Caminhoneiros fecham entrada do Porto
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quarta-feira, 17 de março de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A fila de caminhões para descarregar grãos e farelo no Porto de Paranaguá de um lado, e a fila de navios, de outro, estão longe de uma solução. Ontem a fila de caminhões atingiu 50 quilômetros ao longo da BR-277 com cerca de 4 mil caminhões parados. Na Baía de Paranaguá havia 43 navios à espera para descarregar, mas não recebiam ordem para atracar. À tarde, os caminhoneiros decidiram fechar a entrada do pátio de triagem do porto.
Os caminhoneiros impediram qualquer descarregamento de mercadoria. Quando a situação ficou crítica, alguns operadores tentaram liberar alguns caminhões para liberar a carga. Mas aí foi a vez dos caminhoneiros de paralisar o desembarque.
Os caminhoneiros ficaram revoltados com a denúncia do superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião, que acusou os operadores portuários de não programar navios para o embarque e mesmo assim continuaram autorizando a ida de caminhões para o porto. ''Os embarcadores continuam fazendo dos caminhões em silos para eles que deixam de investir em estruturas de armazenagem e isso não vamos permitir'', disse o presidente do movimento União Brasil Caminhoneiros, Nelson Canaã.
O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná, Diumar Cunha, disse que os caminhoneiros não vão aceitar descarregar a mercadoria sem receber pelas diárias correspondentes ao tempo parado. Eles reivindicam o pagamento de R$ 1 a tonelada/hora. ''Os caminhoneiros já estão parados mais de 40 horas e agora decidiram ficar parados de vez à espera de uma solução definitiva'', afirmou.
A situação do porto é dramática e uma solução definitiva está sendo aguardada para hoje, quando a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Sindicato dos Operadores Portuários, representantes dos caminhoneiros se reúnem com representantes do Ministério dos Transportes que estão se deslocando de Brasília para Paranaguá para resolverem o impasse.
O presidente do Sindicato dos Operadores Portuários, Edson Cezar Aguiar, afirmou à Folha que eles não são os únicos culpados pelo estrangulamento das operações no porto. Segundo Aguiar, eles fazem parte da comunidade portuária e ganham dinheiro com a movimentação da carga. Se não há essa movimentação eles perdem dinheiro, portanto ''estão interessados numa solução urgente'', afirmou. Segundo Aguiar, os operadores portuários tentam conversar com a superintendência do porto mas não conseguem retorno.


