Curitiba - A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) anunciou que pretende fazer piquetes em vários estados para obter maior adesão à greve da categoria, prevista para se iniciar à zero hora de hoje. No Paraná, a Folha apurou que um grande piquete estaria se formando no trevo de Medianeira, região Oeste do Estado. A Abcam vem anunciando um ''paradão'' de 72 horas para pressionar o governo federal e conseguir mais recursos para manutenção das estradas.
A categoria reivindica a aplicação de R$ 8 bilhões dos recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na recuperação das malha rodoviária brasileira. ''Está na hora de o governo investir na estrutura rodoviária, ferroviária e portuária. Se necessário, pararemos sempre as nossas atividades, apesar do prejuízo, para pressionar o governo a tomar uma postura'', disse o presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes. Segundo ele, 86% das estradas do País apresentam problemas. Fonseca garante que a manifestação será pacífica. A recomendação é para que cada caminhoneiro permaneça em casa.
No Paraná, muitos caminhoneiros que estavam com viagem marcada para a região Oeste na noite de ontem, anteciparam as saídas para passar no trevo de Medianeira antes da meia-noite. Fonseca negou que os motoristas fariam piquetes, ''mas sim um trabalho de convencimento'' para os companheiros aderirem ao movimento. Ele não quis antecipar onde os motoristas ligados a Abcam iriam fazer as barreiras.
Fonseca disse que tinha a adesão de 1,2 milhão de caminhoneiros e de 90% das 45 mil pequenas e médias transportadoras do País. Segundo ele, motoristas e empresas não estão mais aguentando os elevados custos de manutenção de seus veículos por conta dos buracos e falta de manutenção das estradas. ''Dos 56 mil quilômetros de rodovias, 83% estão em situação precária'', afirmou.
O movimento, porém, não tem a unanimidade dos motoristas. Os representantes da Frente Nacional dos transportes, formada pela União Brasil Caminhoneiros e União Nacional de Caminhoneiros anunciaram que não vão aderir à greve. O líder da União Nacional de Caminhoneiros, José Araújo Silva, o ''China'', disse que as entidades abriram um canal de negociação com o governo federal e deram um prazo de 90 dias para o governo cumprir as promessas que vem fazendo aos caminhoneiros.
De acordo com China, o governo federal prometeu a liberação de R$ 6 milhões extras para recuperação das estradas, além dos R$ 3 milhões que constam em orçamento. Além disso, o governo prometeu corrigir o programa Modercarga, que financia a aquisição de caminhões com juros mais baratos e prazos mais longos para pagamento, disse ontem o secretário de Política Nacional de Transportes, do Ministério dos Transportes, José Augusto Valente.
Na última quinta-feira, em reunião no Ministério dos Transportes, com representantes da Frente Nacional dos Transportadores Rodoviários de Cargas, os Ministérios da Justiça e dos Transportes se comprometeram a trabalhar para que os pontos reivindicados pela categoria sejam atendidos o mais rápido possível. A informação é da Assessoria de Imprensa do Ministério dos Transportes. De acordo com o ministro Alfredo Nascimento, o atendimento às reivindicações é totalmente viável.
O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, garantiu que a recuperação da malha rodoviária já foi iniciada e a expectativa do governo é de em pouco tempo sejam restabelecidas as condições de tráfego das rodovias federais, informou o Ministério. (Com Agência Brasil)

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