Caminhoneiros exigem aumento
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domingo, 21 de março de 2004
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Enquanto a diretoria da Appa não consegue resolver o impasse com os sindicatos patronais e de trabalhadores, o governo estadual busca o apoio de outra categoria importante para o funcionamento do porto: os caminhoneiros. A categoria aproveitou a confusão em Paranaguá para reivindicar um aumento no valor pago pelas horas paradas, que hoje gira em torno de R$ 0,25. A União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam) divulgou ontem um manifesto apoiando a permanência do superintendente da Appa Eduardo Requião e criticando os embarcadores portuários, que para eles seriam o principal motivo das filas no porto.
A Unicam exige que seja pago pelo menos R$ 1,00 por hora parada. Caso não seja firmado um acordo, os caminhoneiros prometem manter indefinidamente o bloqueio na entrada do porto, mesmo que a paralisação dos trabalhadores e operadores portuários seja suspensa. A fila de caminhões, que se estende por cerca de 80 km, já ultrapassou a BR-277 e invadiu o Contorno Leste na BR-376, na Região Metropolitana de Curitiba.
No manifesto, a Unicam ataca as multinacionais que controlam o mercado de grãos e os operadores portuários, afirmando que é necessário ''dar um fim nestes pústulas que durante anos vem nos prejudicando a nossas famílias (sic); fazendo com que sem qualquer remuneração, correndo risco de vida, passemos horas, dias ''ensilados'' na BR -277, caminho para o Porto de Paranaguá''
O superintendente Eduardo Requião afirmou ontem que apóia a reivindicação dos caminhoneiros de aumento no preço pago pela hora parada. O governo estadual também mobilizou integrantes da Defesa Civil para prestar assistência aos caminhoneiros que estão na fila de embarque para o porto. Ontem, cerca de 4 mil kits contendo arroz, feijão e carne seca foram entregues aos motoristas. Banheiros químicos, atendimento médico e patrulhamento policial também foram disponibilizados pelo governo estadual.
O apoio dos caminhoneiros ao governo não é importante apenas para amenizar os problemas da diretoria da Appa no porto, mas também porque a categoria é estratégica em outra polêmica envolvendo o governo estadual: a questão do pedágio. Juntamente com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, sindicatos de caminhoneiros perfilaram-se ao lado do governo quando a Justiça decidiu conceder as concessionárias de pedágio o direito ao reajuste que havia sido negado pelo Departamento de Estradas de Rodagem.


