Caminhoneiros enfrentam fila para o porto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A fila de caminhões em direção ao Porto de Paranaguá atingiu ontem, no pico do movimento, o Km 16 da BR-277. No início da manhã, o movimento era menor e o último caminhão estava no Km 5. Às 18h30 de ontem, a fila tinha reduzido para o Km 14. Depois de cinco meses sem ter o problema, as fila voltou ao acostamento da rodovia. Esta já é a terceira vez no ano, que há acúmulo de caminhões para descarregar no porto. A primeira vez foi em 21 de fevereiro, na Quarta-Feira de Cinzas, e a segunda em 13 de março.
De um lado, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) alega que os caminhoneiros foram ao porto com carga que não estava programada para ser armazenada ou embarcada. O Conselho de Autoridade Portuária (CAP) teria cancelado as ordens de serviço do porto que determinavam que as cargas cheguem ao local nominadas.
Já os operadores portuários dizem que a fila foi gerada porque teriam ocorrido quedas no sistema de informática carga on line que controla a entrada de caminhões no pátio de triagem na segunda-feira. Outro motivo seria a grande demanda de milho que chega para desembarque.
O advogado dos operadores portuários, Cleverson Marinho Teixeira, disse que os caminhões que aguardam na fila carregam principalmente milho, soja e farelo de soja. O porto requer mais investimentos em função do crescimento da demanda agrícola, especialmente de milho, destacou.
De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), a safra 2006/2007 de milho do Paraná deve ser 18,4% maior do que a anterior. No ano passado, foram colhidas 11,69 milhões de toneladas. Para este ano, a previsão é de 13,84 milhões de toneladas.
Teixeira ressaltou que entre 21 de agosto e 3 de setembro, devem embarcar no porto 680 mil toneladas de milho, 400 mil toneladas de farelo de soja e 470 mil toneladas de soja, totalizando 1,540 milhão de toneladas. A previsão é que cheguem 91 mil toneladas por dia no porto. Isso significa 2.250 caminhões diários. A capacidade do pátio de triagem é de 1,3 mil caminhões. Ele acredita que as filas ainda ocorram nas próximas semanas. A administração do porto não tem que criar embates políticos e dificuldades para os operadores. O porto tem que estar capacitado para atender a demanda quando ela surge, disse.
A Appa informou que desde a meia-noite de segunda-feira até às 17h30 de ontem, 5.034 carretas carregadas com grãos passaram pelo pátio de triagem. A administração portuária está exigindo dos operadores portuários que a descarga no Corredor de Exportação aconteça durante 24 horas, enquanto existirem caminhões no pátio de triagem.
Ainda segundo a Appa, a fila de caminhões se formou devido ao envio de cargas de grãos sem navio nominado e sem destino de armazenagem definido. A nomeação de cargas é uma das exigências da Ordem de Serviço 054/2007. Segundo o porto, no dia 22 de março, o CAP decidiu revogar a ordem de serviço comprometendo a logística do terminal. A superintendência dos portos vai levar essa questão novamente para discussão na próxima reunião do CAP, que acontece amanhã.


