Curitiba - A fila de caminhões em direção ao Porto de Paranaguá atingiu ontem, no pico do movimento, o Km 16 da BR-277. No início da manhã, o movimento era menor e o último caminhão estava no Km 5. Às 18h30 de ontem, a fila tinha reduzido para o Km 14. Depois de cinco meses sem ter o problema, as fila voltou ao acostamento da rodovia. Esta já é a terceira vez no ano, que há acúmulo de caminhões para descarregar no porto. A primeira vez foi em 21 de fevereiro, na Quarta-Feira de Cinzas, e a segunda em 13 de março.
  De um lado, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) alega que os caminhoneiros foram ao porto com carga que não estava programada para ser armazenada ou embarcada. O Conselho de Autoridade Portuária (CAP) teria cancelado as ordens de serviço do porto que determinavam que as cargas cheguem ao local nominadas.
  Já os operadores portuários dizem que a fila foi gerada porque teriam ocorrido quedas no sistema de informática carga on line que controla a entrada de caminhões no pátio de triagem na segunda-feira. Outro motivo seria a grande demanda de milho que chega para desembarque.
  O advogado dos operadores portuários, Cleverson Marinho Teixeira, disse que os caminhões que aguardam na fila carregam principalmente milho, soja e farelo de soja. ‘‘O porto requer mais investimentos em função do crescimento da demanda agrícola, especialmente de milho’’, destacou.
  De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), a safra 2006/2007 de milho do Paraná deve ser 18,4% maior do que a anterior. No ano passado, foram colhidas 11,69 milhões de toneladas. Para este ano, a previsão é de 13,84 milhões de toneladas.
  Teixeira ressaltou que entre 21 de agosto e 3 de setembro, devem embarcar no porto 680 mil toneladas de milho, 400 mil toneladas de farelo de soja e 470 mil toneladas de soja, totalizando 1,540 milhão de toneladas. A previsão é que cheguem 91 mil toneladas por dia no porto. Isso significa 2.250 caminhões diários. A capacidade do pátio de triagem é de 1,3 mil caminhões. Ele acredita que as filas ainda ocorram nas próximas semanas. ‘‘A administração do porto não tem que criar embates políticos e dificuldades para os operadores. O porto tem que estar capacitado para atender a demanda quando ela surge’’, disse.
  A Appa informou que desde a meia-noite de segunda-feira até às 17h30 de ontem, 5.034 carretas carregadas com grãos passaram pelo pátio de triagem. A administração portuária está exigindo dos operadores portuários que a descarga no Corredor de Exportação aconteça durante 24 horas, enquanto existirem caminhões no pátio de triagem.
  Ainda segundo a Appa, a fila de caminhões se formou devido ao envio de cargas de grãos sem navio nominado e sem destino de armazenagem definido. A nomeação de cargas é uma das exigências da Ordem de Serviço 054/2007. Segundo o porto, no dia 22 de março, o CAP decidiu revogar a ordem de serviço comprometendo a logística do terminal. A superintendência dos portos vai levar essa questão novamente para discussão na próxima reunião do CAP, que acontece amanhã.

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