Apesar de estarem sujeitos à multa a partir de hoje, muitos caminhoneiros ainda desconhecem a lei 12.619. É o caso do autônomo Valter Tavares Pereira, 50 anos, de Curitiba. De passagem ontem por Londrina em direção a Fortaleza, para onde levava uma carga de madeira, ele não sabia quantas horas pode dirigir por dia. ''Vou parando de vez em quando para descansar'', conta.
Para ele, o grande problema é onde estacionar para dormir. ''Você chega num posto depois das 19 horas e não tem mais lugar para parar'', ressalta. Por isso, Pereira considera que ''trouxeram uma lei de primeiro mundo para a colônia''.
Outro que não conhece muito bem a lei é Cleverson Mendes de Lima, 32 anos, de Guarapuava. Ele é empregado e acha que a lei está ''mal explicada''. Dirigindo de 12 a 15 horas por dia, Lima ganha R$ 3 mil de comissão. ''Se eu tiver que ficar parando para descansar, vou levar quatro dias para chegar em Alagoinhas (BA). É muito tempo'', reclama. De ontem para hoje, ele iria passar a noite ao volante. ''Para mim não tem problema virar uma noite. Não preciso de rebite'', garante.
O subtenente Araújo, do Posto da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) de Rolândia, diz que a PRE também está preparada para começar a multar a partir de hoje. Ele explica que o disco do tacógrafo já é utilizado pela polícia para checar a velocidade que o veículo desenvolve. ''Agora vamos passar a ver também essa questão da lei do descanso'', conta.
De acordo com ele, os tacógrafos do tipo antigo são fáceis de se burlar. ''Dá para travar a agulha'', afirma. Os mais novos, que são digitais, são mais seguros. Araújo considera a lei importante, mas também se diz preocupado com a falta de locais adequados para os motoristas estacionarem para descansar. ''Vão ficar estacionados no acostamento arriscando provocar um acidente?'', questiona. (N.B.)

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