Caminhoneiros contra jornada de 44 horas
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quinta-feira, 07 de fevereiro de 2008
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os caminhoneiros autônomos do Paraná não são favoráveis à jornada de trabalho de 44 horas semanais. A determinação passou a valer dia 21 de janeiro em todo o Brasil a partir de uma liminar concedida pela Justiça do Trabalho de Rondonópolis (MT). O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos (Sindicam-PR) e da Federação Nacional dos Caminhoneiros Autônomos (Fenacan), Diumar Bueno, disse que o horário de direção não pode ser confundido com a carga horária de trabalho prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
''O trabalhador normal vai para casa descansar. O caminhoneiro ficar parado na estrada ocioso é mais prejudicial do que estar rodando'', disse. Ele acredita que um período de trabalho de oito horas diárias seria muito curto para determinadas viagens. A proposta dele é um tempo de direção de 12 horas e dez horas de descanso ininterruptas. A cada quatro horas de estrada também haveria uma parada de 30 minutos.
A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) ameaça fazer uma paralisação a partir da segunda quinzena de fevereiro, caso a liminar que define a jornada de 44 horas continue em vigor. ''Não somos favoráveis a qualquer tipo de paralisação. Haveria um prejuízo muito grande porque estamos em momento de safra agrícola'', disse Bueno.
Como hoje não há regulamentação para o número de horas de direção, hoje cada caminhoneiro faz o seu horário. ''Em média, o tempo de estrada é de 15 a 18 horas por dia. Defendemos que haja um controle'', afirmou.
Amanhã, acontece uma reunião em Porto Alegre (RS) com a presença dos caminhoneiros e representantes da Federação das Empresas de Transporte de Cargas da Região Sul (Fetransul) para definir qual seria o tempo médio de direção. No dia 13, ocorre uma reunião em Brasília na Confederação Nacional do Transporte (CNT) para discutir o assunto.
Caso ocorra a paralisação das transportadoras, a safra pode sofrer prejuízos. A previsão é do assessor-técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Alburquerque. ''Se a safra ficar no interior e não vier para o Porto de Paranaguá perde-se muita exportação e o preço dos produtos pode cair'', prevê. Ele lembrou que o não cumprimento de contratos pode gerar multas. Agora inicia o escoamento do milho pelo porto e no final do mês o da soja. Albuquerque disse ainda que se a manifestação ocorrer haverá uma quantidade maior de carga para ser escoada em um período muito pequeno.
O Paraná conta hoje com 100 mil caminhoneiros autônomos. No Brasil são 1,2 milhão. O Estado tem 6.900 transportadoras responsáveis por 420 mil empregos diretos.


