PARIS - O governo francês decidiu abandonar seu papel de mediador após o fracasso, na madrugada de ontem, das negociações para encerrar a greve dos caminhoneiros. O impasse no percentual de reajuste salarial - os caminhoneiros pedem aumentos de até 23%, enquanto as empresas transportadoras estão dispostas a conceder o máximo 1% - fez governo, empresas e centrais sindicais abandonarem a mesa de negociações.
‘‘Apelamos aos caminhoneiros para que voltem ao trabalho’’, disse o ministro dos Transportes francês, Bernard Pons. ‘‘Duas conquistas importantes - redução da jornada de trabalho e idade para aposentadoria - estão asseguradas e não dá para aceitar a continuação do movimento’’.
Já em seu 11º dia consecutivo de paralisações e abrindo novo confronto com o governo, os caminhoneiros grevistas anunciaram ontem que vão intensificar os bloqueios nas estradas do país. ‘‘Mais precisamente os pontos fronteiriços’’, advertiu um dos líderes do movimento.
Em países vizinhos, a continuação da greve francesa fez aumentar o clima de tensão e o receio de que o movimento possa se espalhar para outras categorias profissionais. Em Portugal, a Auto Europa (joint venture da Ford com a VW) encerrou atividades por falta de peças e a Seat espanhola comunicou que também poderá interromper a produção a partir de hoje.

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