Ney de Souza




Na esperaFila de caminhões parados no protesto de caminhoneiros argentino na Ruta 12. Na foto de baixo, Jorge Mariano Silva, representante do Sindicato dos Caminhoneiros da Argentina

Cerca de 300 caminhoneiros argentinos estão parados desde o último sábado em Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu. O protesto é organizado pelo sindicato argentino da categoria, que está promovendo manifestaçõs semelhantes nas principais fronteiras do país.
Os caminhoneiros estão protestando contra a demora na liberação de cargas e a falta de infra-estrutura para acomodá-los nas aduanas. Além disso, eles reivindicam a unificação das leis trabalhistas, dos programas de assistência médica e dos salários da categoria nos países que compõem o Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O principal temor dos argentinos é de que, com a integração econômica entre os quatro países, as empresas de transporte da Argentina passem a contratar motoristas de nações vizinhas, principalmente do Brasil. Um caminhoneiro argentino ganha hoje pelo menos o equivalente a R$ 2.000,00 - o dobro do salário médio de um profissional brasileiro.
‘‘Tememos que haja um contrabando de mão-de-obra barata’’, revelou ontem Jorge Mariano Silva, representante do Sindicato dos Caminhoneiros da Argentina que comandava a paralisação em Puerto Iguazú. Segundo ele, esse fenômeno já vem ocorrendo em pequena escala.
Outra reivindicação dos argentinos é de que sejam unificados os convênios médicos para os caminhoneiros nos quatro países do Mercosul. ‘‘Na Argentina temos uma boa estrutura de assistência médica e hospitais. Precisamos nos sentir protegidos em qualquer lugar que estejamos’’, declarou Silva.
Os caminhoneiros argentinos pedem também maior rapidez na liberação das cargas e melhoria na estrutura para atendê-los nas aduanas. De acordo com o sindicato, na fronteira com Foz do Iguaçu o desembaraço (processo de fiscalização de cargas e elaboração de documentos de importação e exportação) dura, no mínimo, 72 horas.
Em consequência dessa demora, os motoristas reclamam que falta estrutura para aguardar a liberação. ‘‘Esperamos geralmente na estrada, sem lugar para comer ou tomar banho e sem segurança’’, reclamou Silva. ‘‘Ficamos prisioneiros no caminhão.’
O protesto começou no último sábado e vai até amanhã. Além de Puerto Igauzú, está sendo realizado em outras fronteiras argentinas: em Paso de Los Libres (na divisa com Uruguaiana, no Rio Grande do Sul), Mendonza e Terra do Fogo (ambos na fronteira com o Chile).
Em Puerto Iguazú, o movimento se concentrou na Ruta 12 (estrada federal que liga a fronteira a Buenos Aires). Ontem, a fila de caminhões no acostamento da estrada ultrapassava cinco quilômetros. O sindicato só está liberando cargas de alimentos, combustíveis e remédios que chegam do centro do país com destino à cidade, que tem cerca de 50 mil habitantes.

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