Curitiba - As dificuldades nas negociações com as transportadoras e operadoras ocorridas ontem, no segundo dia após o fim da greve, levaram os caminhoneiros ameaçar novo bloqueio da entrada do pátio de triagem do Porto de Paranaguá. De acordo com a Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que intermediou o acordo que pôs fim à paralisação dos caminhoneiros, cerca de 5% das empresas envolvidas com o transporte de cargas não tinham feito o depósito referente ao valor das estadias até ontem à tarde.
As lideranças dos caminhoneiros acompanharam atentamente cada depósito feito durante todo o dia de ontem. De acordo com o líder da União Brasil Caminhoneiros, Nelson Canaã, a liberação gradativa dos caminhoneiros da fila de acordo com a confirmação dos depósitos estava irritando muitos caminhoneiros. Muitos caminhões saiam do final da fila e passavam à frente dos que estavam há mais tempo na estrada porque a empresa para a qual carregavam não tinha feito o depósito. ''Foi um mal-estar que quase levou à nova paralisação'', contou.
A recomendação das lideranças era para que os caminhoneiros se acalmassem porque nenhum eles iria ter prejuízo com os dias parados. Canaã disse que a maioria das empresas já tinha feito o depósito, confirmando o ingresso de cerca de R$ 20 milhões a R$ 25 milhões só de estadias. ''Quem não pagar, o caminhão não vai ser liberado para descarregar'', avisou. Canaã admitiu a dificuldade de caixa de algumas empresas, mas tranquilizou os motoristas cujas empresas ainda não fizeram os pagamentos, afirmando que não serão lesados.
O auditor fiscal do DRT, Prince Ivo Szymanski, reconheceu a existência de empresas que estavam resistindo em fazer o depósito porque a solução para o fim da greve foi obtida por meio de um ''acordo de maioria''. Mas lembrou que a DRT vai acompanhar o cumprimento do acordo e garantiu também que os caminhoneiros não devem ser prejudicados. ''A gente precisa ter paciência com as empresas menores que têm dificuldades de levantar o dinheiro e de comunicação com os bancos'', afirmou.
Numa situação emergencial, algumas transportadoras concordaram em repassar o valor do depósito das indenizações para liberar seus caminhões. A recomendação do Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas do Paraná (Setcepar) é que cobrem as estadias dos embarcadores que são as cooperativas de produção, produtores e tradings que autorizaram os embarques, disse o superintendente da entidade Ricardo Mac Donald.
Com a elevação do valor das estadias, Mac Donald informou que esse custo será repassado aos embarcadores. ''Quem não concordar em pagar, as transportadoras devem se recusar a carregar a mercadoria'', avisou. Do contrário ''as transportadoras que estão trabalhando no limite, porque o preço do frete mal paga os custos, vão pagar para carregar'', justificou.

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