Curitiba Ontem, nenhum caminhão com soja geneticamente modificada desembarcou no Porto de Paranaguá. O diretor de um terminal que preferiu não se identificar, disse que os exportadores vão aguardar a próxima segunda-feira. Eles querem que a liberação da exportação da soja transgênica seja aberta para todos os terminais e não apenas para a Bunge, como foi determinado na ordem de serviço da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa).
Segundo o mesmo diretor, alguns caminhões voltaram para as indústrias de origem e outros ainda aguardam em um posto de gasolina na BR-277. Ele acredita que os exportadores vão aguardar uma nova deliberação da juíza federal de Paranaguá, Giovanna Mayer, para que a liberação da exportação da soja modificada aconteça na integralidade. O diretor Corporativo de Comunicação da Bunge, Adalgiso Telles, estava em reunião em Brasília e não deu retorno até o fechamento desta edição.
''Os caminhoneiros vão esperar o cumprimento da ordem judicial para virem a Paranaguá'', acredita o advogado da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Marcelo Teixeira. Ele disse que a ordem de serviço da Appa que determinou que só o terminal e o berço da Bunge podem ser utilizados para a exportação da soja modificada é ''uma manobra para fraudar o cumprimento da liminar''. Na próxima segunda-feira, ele vai denunciar o não cumprimento da ordem judicial para a juíza Giovanna Mayer. Até ontem, o porto já tinha sido multado em R$ 15 mil por não cumprir o que a Justiça determinou. ''A Appa não cumpriu a liminar porque não atendeu o direito de todos os terminais de exportarem soja transgênica'', esclareceu.
''Ao invés de cumprir a liminar, o superintendente da Appa (Eduardo Requião) está buscando subterfúgios ilegais'', declarou o presidente da ABTP, Wilen Manteli. Ele lembrou que a legislação federal não obriga a ter um silo específico para soja transgênica. ''O porto tem condições de fazer a segregação e é lamentável a conivência da Bunge'', afirmou.
Manteli acredita que a Bunge está ''sendo manobrada pela Appa''. ''Vamos pedir para a juíza de Paranaguá para que aumente a multa (do porto)'', disse. Ele informou que a proibição dos transgênicos desorganizou todo o sistema logística. ''Os armadores estão inseguros em mandar navios para Paranaguá'', declarou.
O berço da Bunge (número 206) tem profundidade de dez metros o que permite que o navio receba 35 mil toneladas a uma velocidade de mil toneladas de grãos por hora. No corredor de exportação, a profundidade dos três berços é de 12 metros, o que permite o embarque de 60 mil toneladas por navio a velocidade de 9 mil toneladas por hora.

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