Caminhonaço mostra mais força do que o esperado
Guto Rocha
De Londrina
O caminhonaço que chegou ontem em Londrina superou as expectativas dos organizadores que na quinta-feira aguardavam pouco mais de 250 caminhões. O comboio, que chegou no final da tarde, está formado, segundo estimativa da Polícia Rodoviária Estadual por 400 caminhões, além de 32 ônibus e automóveis. O movimento partiu ontem de Erechim (RS), com 136 caminhões, 16 carretas e 32 automóveis.
O vice-presidente da Farsul, Francisco Schardong, disse que o comboio conseguiu novos integrantes pelo caminho. Só em Guarapuava tivemos a adesão de mais 24 caminhões, comentou. Em Londrina, segundo o diretor da Sociedade Rural do Paraná, Arnaldo Coelho do Amaral Filho, pelo menos 50 caminhões devem se juntar ao comboio. O movimento foi recebido por várias lideranças do setor rural do Paraná, e os participantes passaram a noite nas dependências do Parque Ney Braga. O caminhonaço parte hoje pela manhã, chegando por volta do meio-dia em Presidente Prudente (SP) e passando a noite em São José do Rio Preto (SP).
Schardong afirmou que a expectativa é de que o movimento chegue na segunda-feira em Brasília com mais de dois mil caminhões e cerca de 10 mil manifestantes. A notícia de que o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PFL), irá proibir a entrada do movimento em Brasília provocou os ânimos dos líderes do movimentou. O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, disse que não existe justificativa para impedir o acesso do movimento à capital federal. O movimento é pacífico, comentou. O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli disse não acreditar que a irresponsabilidade do governo chegue a tanto. Pela importância da nossa classe para o País devemos ser tratados com mais dignidade, comentou.
Confiança O líderes do caminhonaço estão confiantes na aprovação do projeto 4895/99 no próximo dia 18 em Brasília. Estaremos em Brasília para demonstrar o nosso apoio à aprovação do projeto, disse Schardong. O projeto de autoria do deputado federal João Augusto Nardes (PPB/RS), com substituto do deputado federal Ronaldo Caiado (PFL/GO), prevê o alongamento da dívida dos agricultores, com quatro anos de carência com 20 anos de prazo de pagamento, além do perdão de 40% do valor da dívida. A dívida do setor rural é estimada em R$ 23 milhões.
Sperotto afirmou que o apoio ao projeto é ponto pacífico do movimento, e que a equalização das taxas de juros proposta pelo governo não altera em nada a reivindicação do setor, que segundo ele, já é conhecida pelo governo há mais de um ano. Isso não pode ser considerado, porque a equalização vai existir com ou sem o projeto, afirmou.
O deputado federal Abelardo Lupion (PFL/PR), que participou do manifesto ontem na Sociedade Rural do Paraná, disse que o projeto já tem garantido 350 votos, com a adesão à bancada ruralista de 125 parlamentares de partidos da esquerda. Lupion afirmou que o governo tem elaborado planos que beneficiam banqueiros em detrimento do setor agropecuário. Dizer que o perdão da dívida do setor rural vai quebrar o País é um falta de respeito com o produtor que vive este problema há pelo menos 20 anos, comentou o deputado.





