Curitiba - No primeiro dia da Operação Safra, realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em parceria com a concessionária Ecovia e outros órgãos para evitar filas de caminhões no acostamento da BR-277 no trecho entre Curitiba e Litoral durante o escoamento da safra, a linha de veículos parados às margens da rodovia atingiu um pico de 14 quilômetros. Houve um leve acúmulo no início da tarde devido a um acidente ocorrido sobre a ponte do Rio Tibagi na região de Ponta Grossa, na BR-376, por volta das 7 horas de ontem.
Na ocorrência, quatro caminhões e um trator colidiram. Uma pessoa, Joaquim Lopes, 49 anos, morreu no acidente, e outra caiu no rio e não havia sido encontrada até o final da tarde. Devido à gravidade da ocorrência, o trânsito na região foi interrompido por cerca de quatro horas. As informações são da Polícia Rodoviária Estadual. De acordo com a assessoria de imprensa do Porto de Paranaguá, quando a rodovia foi liberada, o acúmulo de caminhões provocou aumento na fila na BR-277.
No final da tarde, segundo a assessoria da Ecovia, havia caminhões parados até o quilômetro 15 - a entrada do pátio do porto fica no quilômetro 4. O supervisor da PRF na região, Rosmar Custódio Santos, explicou que uma equipe de 14 policiais está monitorando a área. As instruções são para que caminhões sejam retidos quando a fila chegar ao quilômetro 20 da BR-277, nas proximidades de Morretes, com reserva até o quilômetro 30.
''Toda vez em que o limite for atingido, os caminhões passarão a ser encaminhados para um posto móvel no Contorno Leste, no quilômetro 93 da BR-116'', disse Santos. A superintendência do Porto de Paranaguá acredita que a resolução baixada em dezembro do ano passado que autoriza apenas caminhões com carga nominada já vendida a permanecer na fila resultará em menor acúmulo de veículos este ano. A Operação Safra vai até 15 de junho.
Segundo dados da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), é provável que menos produção passe pelo Porto de Paranaguá em 2005. No ano passado, passaram pelo local 3,8 milhões de toneladas de milho, 5,13 milhões de toneladas de soja em grãos, 5,47 milhões de toneladas de soja em farelo e 227 mil toneladas de trigo. Desta produção, todas as cargas de milho e de trigo eram paranaenses, e 4,51 milhões de toneladas de soja em grãos e 4,93 milhões de toneladas de soja em farelo eram oriundas do Estado.
Em 2005, não ocorrerá exportação de trigo. Uma quantidade de soja semelhante à exportada no ano passado e apenas 1,5 milhão de toneladas de milho deverão passar pelo Porto de Paranaguá. ''Estamos orientando as cooperativas para que enviem cargas apenas quando houver agendamento. O que acontece é que caminhoneiros que não possuem ligação com cooperativas e caminhões de outros estados levam produção até o porto. Além disso, as chuvas paralisam os carregamentos'', afirmou Róbson Masioletti, analista econômico da Ocepar.
O diretor-executivo da Federação das Empresas de Transporte do Paraná, Sérgio Malucelli, disse que é inevitável que haja filas este ano, apesar do desvio do transporte de cargas para outros portos resultante da polêmica dos transgênicos. ''Sempre se forma fila, é histórico. O importante é que a superintendência do porto se agilize para que não aconteça como em anos anteriores, quando a fila chegou a 120 quilômetros. O acúmulo precisa atingir um limite razoável'', opinou ele.

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