Curitiba O pátio de triagem do Porto de Paranaguá, local onde os caminhões descarregam grãos para serem embarcados nos navios, ficou bloqueado durante praticamente todo o dia de ontem, em uma ação dos caminhoneiros, que se iniciou às 10 horas. Os veículos ficaram impedidos de entrar por falta de capacidade do local. Com o protesto, formou-se uma fila de caminhões que chegou próximo a Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Entre os trechos de jurisdição federal e estadual, a fila atingiu 93 quilômetros de extensão, sem considerar os intervalos.
Os caminhoneiros protestam contra os baixos valores da diária, que estão sem reajuste há oito anos, informou Laertes José de Freitas, vice-presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam). O sindicato tentou uma reunião com os operadores portuários, empresários responsáveis pelos embarques das cargas nos navios e que fazem o pagamento das diárias, durante toda a tarde, sem sucesso. Só no início da noite, os operadores aceitaram se reunir com os sindicalistas.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a fila saiu da BR-277, no trecho que liga Curitiba ao Litoral, continuou pelo Contorno Leste, que corresponde ao prolongamento da BR-116, até o Ceasa do Pinheirinho, em Curitiba, avançou pelo Contorno Sul, que corta a Cidade Industrial de Curitiba e entrou novamente na BR-277 no trecho que liga Curitiba a Ponta Grossa. A Polícia Rodoviária Estadual, responsável pelo trecho da BR-277 entre Curitiba e Ponta Grossa, informou que a fila se prolongou até quatro quilômetros depois do posto da polícia.
Segundo Freitas, os caminhoneiros estão indignados com o período que são obrigados a permanecer nas filas sem o pagamento das diárias, que só começam a ser pagas depois de duas horas que os caminhões ultrapassam a praça do pedágio. Os operadores estão pagando R$ 0,25 a tonelada hora, um valor fixado quando o óleo diesel custava R$ 0,54 o litro, disse o sindicalista. Hoje, o óleo diesel está custando R$ 1,40. Por isso, o Sindicam reivindia reajuste da diária para R$ 0,90 a tonelada/hora.
O sindicato promoveu uma assembléia com os caminhoneiros na BR-277 e decidiu que o pátio não seria desbloqueado até que o valor das diárias fosse revisto. Os motoristas reclamam que além de não receberem as diárias, seus veículos estão sendo utilizados como armazéns, sem que ninguém arque com esse custo.

mockup