Caminhões de soja e milho enfrentam uma fila de 85 km
Curitiba - Cerca de seis mil caminhões carregados de soja e milho estavam na fila ontem para descarregar no Porto de Paranaguá. No início da tarde de ontem, a fila já chegava à BR-116, no Contorno Leste, região de Curitiba.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), já são 85 quilômetros de acostamento começando na BR-277 tomados pelos veículos que aguardam para descarregar no Porto de Paranaguá.
Para evitar o aumento da fila, o Movimento União Brasil Caminhoneiro está enviando comunicados para todo o País pedindo aos motoristas que não se dirijam ao porto. Os caminhoneiros, que estão bloqueando a entrada do pátio de triagem do porto há quatro dias, prometem fazer um protesto amanhã, caso o impasse persista.
Os caminhoneiros não participaram do protesto contra a direção do porto, embora também tenham se manifestado a favor do aumento no preço do frete parado, hoje em R$ 0,25.
Mesmo que os trabalhadores retomem as atividades de carga e descarga, eles não liberam o pátio até que o pagamento das diárias pelo tempo perdido na fila seja resolvido. ''Nós queremos R$ 1 por tonelada/hora parada'', diz o coordenador do movimento, Neuri Leobet. Os caminhoneiros estão recebendo da Defesa Civil sanduíches, água e garantia de segurança pelo tempo que permanecerem parados na fila.
Ontem 46 navios também aguardavam em alto-mar para atracar no porto, segundo informações do Sindicato das Agências Marítimas. O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, qualifica a paralisação como política e insuflada pelos operadores portuários. São eles os responsáveis por convocar mão-de-obra para as atividades de carga e descarga.
Para o porto voltar a operar sem depender dos agentes portuários, seria necessário, segundo a assessoria de imprensa da Appa, que o governador Roberto Requião (PMDB) passasse uma autorização. O que não ocorreu até o início da tarde de ontem. (E.T.)





