Após quase uma semana parados nos postos fiscais das divisas entre Paraná e outros estados, caminhões carregados com soja começaram ontem a ser liberados para prosseguir viagem. Em uma medida emergencial, o governo estadual está realizando testes gratuitos de transgenia nos veículos barrados. As análises prosseguem até domingo. A partir de segunda-feira, cargas de soja devem chegar ao Estado já certificadas com atestado negativo de análise de transgenia.
Segundo Carlos Alberto Salvador, chefe do Departamento de Defesa de Sanidade Vegetal (DDSV) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), a exigência do governo estadual respeita uma lei federal que determina a certificação de soja não transgênica ou a rotulação do produto geneticamente modificado para transporte entre estados. Como no Paraná é proibido circular com produtos transgênicos, toda soja identificada como transgênica terá que voltar ao seu local de origem.
Aproximadamente 400 testes seriam realizados. O exame é feito a partir da retirada de 200 gramas do carregamento de soja de cada caminhão. Eles são moídos e misturados a 1 litro de água potável. Com uma pipeta é retirado meio mililitro, que vai para a cubeta onde uma fita é mergulhada por cinco minutos. Ela é preparada para identificar a proteína gerada pelo DNA introduzido na planta para torná-la resistente ao glifosato.
Caso não exista a proteína, a fita fica apenas com uma lista vermelha. Se forem verificadas duas listas, a amostra é positiva. O exame também pode ser feito na folha ou na semente da soja.
Ontem a tarde, no posto fiscal Jorge Radzm‹nski, em Porecatu (85 km ao norte de Londrina), mais de 60 carretas esperavam a realização dos testes para serem liberadas. A maioria dos motoristas vinha dos municípios de Primavera do Leste e Campo Verde, no Mato Grosso, com destino a Londrina e Ponta Grossa. O sargento da Polícia Rodoviária Humberto Cavalcante, comandante do posto policial local, informou que o trânsito não foi tumultuado pela aglomeração das carretas. ''Muitos motoristas, sabendo do problema, pararam antes de chegar ao Paraná.''
O caminhoneiro Marcos Aparecido Piassa esperava uma solução para sua carga desde terça-feira. ''Nosso maior transtorno é conseguir comida e comunicação com a família'', comentou. Pescadores que moram nas margens da represa Capivara, próxima ao posto fiscal, estavam vendendo pratos feitos aos caminhoneiros.
Cada caminhão parado acumula um prejuízo de R$ 300,00 por dia, contabilizou o motorista Djalma Mussati. Funcionário de uma transportadora, ele ganha 12% sobre o valor bruto cobrado pelo caminhão. A cada dia perdido no posto fiscal, ele tinha despesas entre R$ 30,00 e R$ 40,00.
Com grande expectativa para seguirem viagem, os dois caminhoneiros afirmaram que não se interessam pelos motivos que levaram o Paraná a proibir a circulação da soja transgênica. ''Para nós, o que interessa é que os agricultores plantem cada vez mais para ter muita soja para a gente transportar'', disse Mussati.

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