Para quem alimenta o sonho do próprio negócio e planeja investir em uma franquia, boas notícias: apesar da crise, o setor deve crescer 13% este ano em relação a 2008, com faturamento saltando de R$ 55 bilhões para R$ 63 bilhões. Os dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) apontam o Sul do país como uma das regiões mais promissoras para acelerar esse crescimento. Das redes de franquia no Brasil, 13,1% já estão na região, sendo a maior parte (44%) no Paraná, responsável por 80% do faturamento entre os três estados do Sul.
O sistema de franchising, segundo o diretor executivo da ABF, Ricardo Camargo, está forte no mundo todo, mas a situação no Brasil é especial por causa do sistema financeiro, do tamanho do mercado e da necessidade das pessoas de buscarem as próprias oportunidades. No franchising mundial, o país é visto como referência, ocupando a quarta posição no ranking e com o comando nas mãos do principal órgão internacional do setor, o World Franchising Council.
O Sul ganha atenção por conta do público exigente e diferenciado, e por ser considerado um terreno ideal para a introdução de novos produtos, tendências e ideias. ''Há demanda a ser explorada'', confirma Camargo. Ele observa que as franquias já povoaram as grandes cidades e agora a tendência é buscar o interior. ''Hoje, entre 30% e 40% das lojas de shopping são franquias. Em São Paulo, tem shopping em que esta ocupação chega a 70%'', repara o executivo. Segundo Camargo, grandes redes como Habib's e MacDonald's já desenvolvem modelos de negócios para cidades menores.
A rede norte-americana de fast-food Subway - com mais de 30 mil lojas no mundo, das quais 310 no Brasil - planeja expansão em Curitiba e em várias cidades de porte médio no Estado. Hoje, a rede tem 23 unidades na grande Curitiba e 7 no interior (Ponta Grossa, Londrina, Cascavel, Maringá e Foz do Iguaçu), e até 2010 deve abrir mais sete na capital, mais uma em Maringá e outra em Cascavel.
''O Paraná é um mercado muito bom, um dos mais expressivos dentro da rede'', afirma João Augusto Fugiwara, agente de desenvolvimento da Subway para o Paraná e Santa Catarina. Entre as vantagens do Paraná, ele cita a possibilidade de encontrar imóveis bem localizados a ''preços razoáveis'', a boa aceitação do produto oferecido pela rede e a receptividade dos franqueados. ''É difícil encontrar um dos nossos franqueados com apenas uma loja''.
A rede tem como foco cidades a partir de 100 mil habitantes, mas isso não é pré-requisito. ''Pode haver cidades menores com muito potencial'', observa. O investimento inicial para abrir a franquia da Subway fica entre R$ 200 mil e R$ 500 mil. A taxa de franquia é de US$ 10 mil e os royalties são de 8% sobre o faturamento.
Vantagens
A principal vantagem das franquias é o fato de se entrar em um negócio já estruturado, com público definido e produto já testado no mercado. Neste setor, segundo a ABF, a taxa de mortalidade das empresas é de um 1% - entre as empresas tradicionais esse índice supera 20%. A associação também cita que as linhas de financiamento para o franchising tem juros mais baixos que o mercado, entre 5,5% e 8,5% ao ano.
Para quem quer entrar no setor, o diretor da ABF, Ricardo Camargo, recomenda em primeiro lugar escolher alguma área com a qual se identifique. ''É preciso aptidão, prazer, identidade com o negócio'', destaca. Apesar de não ser uma exigência, ter algum tipo de experiência com varejo ajuda na empreitada.
Para diminuir as chances de erro, Camargo diz que é fundamental ter pelo menos 50% do capital total do negócio, fazer análise de mercado e escolher um ponto comercial adequado para o negócio. Antes de tomar a decisão, é prudente entrar em contato e tirar dúvidas com franqueados da rede e avaliar com atenção o contrato a ser assinado. ''É bom ver o que o franqueador se compromete a fazer pelo franqueado e o que a empresa espera dele'', diz.
Segundo Camargo, é possível encontrar negócios em franquia com investimento inicial a partir de R$ 10 mil (casos de representação, que não exigem ponto comercial), mas a maioria gira em torno de R$ 150 a R$ 300 mil. A média dos royalties é de 1% a 5% sobre o faturamento.

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