A utilização de biotecnologia nas culturas do País e do Paraná continua em ritmo acelerado. Uma conclusão é óbvia: este é um caminho sem volta para o agronegócio. Afirmação que pode ser comprovada por meio do último relatório mundial divulgado recentemente pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA).

Segundo os números, o Brasil cultivou 44,2 milhões de hectares (ha) de culturas transgênicas em 2015, um crescimento de 5% em relação a 2014, ou o equivalente a dois milhões de ha. Nenhum outro país do mundo apresentou um crescimento tão expressivo. Os Estados Unidos continuam no topo do ranking, com 70,9 milhões de ha. Em seguida, aparecem Argentina (24,5 milhões de ha), Índia (11,6 milhões de ha), Canadá (11 milhões de ha) e China (3,7 milhões de ha). Em todo o mundo, 28 países plantaram 179,7 milhões de ha com variedades geneticamente modificadas (GM).

O Paraná – que em 2003, durante o governo Roberto Requião, chegou a travar uma luta com o Governo Federal para se tornar uma "zona livre de transgênicos" - obviamente, seguiu o caminho natural do agronegócio competitivo. Hoje, praticamente toda a área de soja e milho, duas das principais commodities do Estado, é de transgênicos. Não existem dados atuais sobre o percentual exato, mas estima-se que apenas em torno de 3% da oleaginosa plantada em solo paranaense seja convencional. No caso do milho, o número é ainda menor. Em 2013, um levantamento da consultoria Céleres apontou que a biotecnologia era adotada em 84,4% da área plantada de soja. No caso do milho, o número já era de 90,9% naquela época.

Moratória branca
Na outra ponta da cadeia, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) também aprovou no ano passado um número recorde de novos produtos transgênicos aplicáveis à agricultura. Foram 14 plantas que expressam características importantes que auxiliarão agricultores de soja, milho e algodão.

O pesquisador da Embrapa Soja e membro especialista em tecnologia da CTNBio, Alexandre Nepomuceno, comenta que este aumento de 5% na área de transgênicos é justificado por uma reprimida no País entre os anos de 1998 e 2005. "Neste período, o Brasil sofreu com um gargalo na liberação de tecnologias justificado por conflitos que envolviam a antiga lei de biossegurança. Foi uma espécie de 'moratória branca' que atrapalhou, inclusive, os investimentos nesta área".

Hoje, são atualmente 55 plantas liberadas pela Comissão que podem ser utilizadas no agronegócio. Nos Estados Unidos, o número é mais que o dobro do nacional. Para Nepomuceno, é impossível qualquer país ou estado se manter competitivo no agronegócio sem a utilização de plantas transgênicas.

Ele cita que desde a década de 1970 para cá, as áreas agriculturáveis nacionais cresceram em torno de 100%, enquanto a produção – graças a toda tecnologia implementada – saltou 500%. "O Brasil é o segundo maior produtor de grãos do Planeta e o Paraná o segundo maior produtor de soja do País. Não seríamos nada competitivos sem este tipo de tecnologia. Agora, tem se produzido tecnologias para enfrentar altas temperaturas, seca, alagamentos e lançamentos futuros que podem ser resistentes à ferrugem asiática. Vale dizer que os transgênicos são uma tecnologia e não a salvação da lavoura. Por isso, o manejo adequado para evitar resistências no campo e outros problemas é necessário", complementa.

Por fim, questionado sobre os problemas que a ingestão deste tipo de alimento poderia trazer no futuro para a população, Nepomuceno é bem categórico. "Há muita desinformação acerca deste assunto. Nunca na história se estudou tanto os alimentos como hoje. Há todo um ferramental utilizado para comprovar essa segurança alimentar. É importante salientar que há também espaço para outros tipos de lavoura, como as orgânicas e convencionais", finaliza.

Imagem ilustrativa da imagem Caminho sem volta
mockup