Camex prevê déficit anual de US$ 5 bi
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sexta-feira, 03 de julho de 1998
Agência Estado 
O secretário da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Roberto Mendonça de Barros, espera novos superávits na balança comercial nos próximos meses, em função dos embarques de café e soja, que estão atrasados. Mendonça disse ontem que espera um déficit comercial de US$ 5 bilhões em 1998.
A balança comercial apresentou um superávit de US$ 12 milhões no mês de junho, quebrando uma tendência de déficit que ocorria desde maio de 1996. O mês de junho apresentou o primeiro superávit na balança comercial dos últimos 25 meses. Mendonça informou que as exportações de soja e café apresentaram atrasos nos embarques este ano, e que isso deve contribuir para a possibilidade de novos superávits no segundo semestre, período em que os déficits são mais prováveis.
O titular da Câmex disse que há um consenso no governo de que o desenvolvimento sustentado passa pelo aumento das exportações. Ele considerou a meta de US$ 100 bilhões em exportações até o ano 2000 perfeitamente viável e disse que o governo vai se concentrar na criação de condições igualitárias de tributação no Brasil em relação aos outros países, e na redução de práticas desleais com o que ele denominou importabando (importações sem pagar imposto ou contrabando).
Mendonça se disse confiante e enumerou os seguintes motivos para seu estado de espírito:
1 - O sistema produtivo passou nos últimos quatro anos por uma reorganização e os investimentos na economia passaram de 14% do PIB em 1993 para 18% no começo de 98. A Camex está realizando um estudo que vai mostrar que esse investimetno de 18% do PIB é subestimado, uma vez que no cálculo oficial não se leva em consideração aspectos como gastos em treinamento e em programas de computador. Ele disse que as empresas estão passando por um período de recuperação de competitividade e que os investimentos estão levando em consideração também uma parcela da produção destinada a exportações.
2 - O País está passando por uma diversificação na pauta de exportações e é o único da América Latina com redução no déficit na conta-corrente. Segundo ele, existem algumas empresas que estão se instalando no País para fabricação de produtos, como celulares, e que estão destinando parcela da produção para exportações. A diversificação das exportações atinge também a entrada de novos produtos como televisores.
3 - A abertura da economia reduziu as taxas de lucros no mercado interno, tornando mais atraente a melhoria de qualidade dos produtos brasileiros, com o objetivo de exportação. Ele afirma ainda que a exportação passou a ser uma variável estratégica na economia brasileira e que diversas entidades de classe estão reunindo as pequenas e médias empresas para incentivarem as vendas externas, até mesmo com o uso da Internet. Segundo ele, isso não quer dizer que a batalha das exportações está ganha, pois é enorme o trabalho que ainda precisa ser feito para viabilizar a meta de dobrar as exportações brasileiras até 2002.


