Em dezembro do ano passado, os camelôs que trabalhavam em barracas instaladas nas avenidas Leste-Oeste e São Paulo, no centro da cidade, viviam uma realidade dividida entre dificuldades momentâneas e incertezas futuras. Eles estavam sob pressão da ostensiva fiscalização das receitas Estadual e Federal algumas vezes com inteferência truculenta de policiais e da indecisão de terem que se mudar para o novo Camelódromo de Londrina, exigência da Companhia Municipal de Transportes e Urbanização (CMTU).
O novo camelódromo foi inaugurado no dia 15 de janeiro deste ano, a poucas quadras do local anterior, em um prédio alugado pela prefeitura, que também bancou a reforma e forneceu toda infra-estrutura interna do imóvel. Passados menos de 11 meses do início de seu funcionamento, o camelódromo dá sinais de vitalidade e de que caminha rápido para a definitiva viabilização econômica.
Esta é a opinião dos dois administradores do empreendimento, Ana Maria Costa (presidente da ONG Acalo) e Ulisses Sabino (presidente da ONG Canaã). Segundo eles, a grande maioria dos 320 microempresários que ocupam os boxes do camelódromo está satisfeita com as atuais condições de trabalho e jamais aceitaria a idéia de voltar a trabalhar nas ruas da cidade.
A taxa de condomínio mensal que cada camelô paga está em torno de R$ 90, pelos gastos com água, energia elétrica, segurança, seguro do prédio, IPTU e limpeza; além de assistência de contador e advogado. ''É praticamente os mesmos custos que tínhamos no antigo camelódromo, só que aqui o dinheiro está sendo aplicado em uma infra-estrutura muito melhor; que representa um atendimento de mais qualidade e com maior conforto aos consumidores'', explica Ana Maria.
''Acredito que cerca de 90% dos camelôs estão satisfeitos aqui. Poucos topariam voltar a trabalhar nas ruas, nas condições anteriores; com problemas de sol, chuva, vento, insegurança, apreensão dos produtos. Aqui, nossas condições de trabalho são muito melhores'', comenta a presidente da Acalo. Ela lembra, no entanto, que os primeiros meses no camelódromo não foram fáceis porque a mudança ocorreu no período de férias depois de comercializarem por sete anos no antigo local.
Os dois administradores estão otimistas em relação às vendas deste final de ano, o primeiro do novo Camelódromo de Londrina. ''Estamos confiantes, porque para todo o comércio dezembro é melhor mês de vendas. No último sábado, o movimento já foi muito bom, porque as pessoas começaram a gastar o dinheiro da primeira parcela do 13º salário. Nossa expctativa é muito boa; esperamos vender cerca de 60% mais que em dezembro passado'', prevê Sabino. Mais comedida, Ana Maria diz acreditar num aumento de vendas em torno de 20%: ''Apesar de a situação estar difícil pra todo mundo, aqui tem tudo para ser melhor que no antigo camelódromo. Em dezembro passado, vivemos lá um clima ruim por causa de confrontos com a polícia. A freguesia ficou com medo de ir lá e o movimento não foi tão bom quanto nos anos anteriores. Aqui no novo camelódromo temos mais conforto e segurança para oferecer aos consumidores. Por isto, nossa expectativa é de que este final de ano vai ser bom para todos os camelôs.''
Para Sabino, o camelódromo está praticamente consolidado às vésperas do primeiro aniversário: ''Cada dia que passa, recebemos um maior número de visitantes e compradores. Este local já deu bons resultados e as perspectivas são melhores para o próximo ano; o que falta é mais divulgação. Vamos aos poucos completando nossa estabilização, o que é uma vitória da união dos camelôs londrinenses.''
Segundo o presidente da Canaã, não existe no País um local que ofereça mercadorias baratas vendidas por camelôs com uma infra-estrutura tão boa como a do Camelódromo de Londrina. ''Este ano só não foi melhor para nós, porque a situação esteve difícil para todos os ramos de atividades comerciais. Mas aí, já é uma questão da economia do Brasil, que esteve condicionada ao primeiro ano do novo governo federal e seus contratempos como o desemprego, altos juros, questão do câmbio e outros'', diz Sabino.

mockup