Camdessus prega combate à corrupção
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quinta-feira, 18 de setembro de 1997
Agência Estado Hong Kong 
Os países da América Latina precisam crescer a taxas superiores a 4% ou 5%, para absorver a grande quantidade de pessoas que chega anualmente ao mercado de trabalho, disse o gerente-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, em entrevista coletiva que antecede a abertura oficial da Reunião Anual do FMI e Banco Mundial. Mas todas as análises que temos feito mostram que são necessárias mudanças mais profundas, para que os países ultrapassem esse patamar de crescimento, comentou Camdessus. Entre as mudanças necessárias, segundo o gerente-geral do Fundo, estão a reforma das instituições, o combate à corrupção, a adoção de medidas para garantir a confiança dos investidores internacionais e a privatização - que deve levar o setor privado a assumir maior responsabilidade no desenvolvimento das economias da região.
O comentário sobre o baixo crescimento da América Latina foi uma das raras referências de Michel Camdessus à região durante a entrevista coletiva - onde, alegando falta de tempo, o gerente-geral do FMI não respondeu a nenhuma pergunta de jornalistas do Brasil. Camdessus não chegou a comentar as reações irritadas do governo às notícias sobre críticas do Fundo em relação à economia brasileira. Mas foi recebida com espanto no FMI a reação do presidente Fernando Henrique a um artigo feito por um dos técnicos da instituição.
O artigo, publicado na revista do FMI e do Banco Mundial, Finance and Development (Finanças e Desenvolvimento), mostra que o Brasil é o país que tem a maior diferença de renda entre os mais ricos e os mais pobres.
Para o autor, Benedict Clemens, técnico do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, o Plano Real conseguiu reduzir a pobreza no País, mas teve efeitos limitados sobre a diferença entre os mais pobres e os mais ricos. O Real tem limites, segundo Clemens, porque a desigualdade de renda tem razões estruturais.
A análise de Clemens foi mal recebida pelo presidente Fernando Henrique, que, por seu porta-voz, Sergio Amaral, acusou o Fundo de estar errando pela segunda vez ao subestimar os avanços da política social do governo. Como teria feito quando o Plano Real foi lançado.


