O diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, afirmou ontem que o Brasil ‘‘não esperou até o último momento para reconhecer as falhas de suas políticas e adotar medidas fortes’’. A declaração foi feita durante conferência no World Affairs Council em Filadélfia.
O texto do discurso foi divulgado pelo FMI em Washington. O Brasil e outros países latino-americanos foram citados entre aqueles que mostraram ‘‘avanços encorajadores’’ na adoção de reformas estruturais desde as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, há cerca de um mês.
Segundo Camdessus, os países latino-americanos ‘‘sinalizaram sua prontidão para fazer o que for necessário para manter seu acesso aos mercados internacionais de capital. Essa ação preventiva está ajudando a desarmar uma crise potencial na região’’.
Sobre outras regiões, ele disse que ‘‘Coréia, Tailândia e Indonésia estão continuando a mostrar sinais de que a recuperação pode estar próxima’’. O chefe do FMI também declarou que ‘‘mesmo que nas últimas semanas um ar de calma tenha começado a voltar aos mercados globais, podemos argumentar que a crise no funcionamento do sistema financeiro mundial ainda não terminou e que agora temos uma oportunidade melhor para levar adiante as reformas fundamentais’’.
Camdessus reiterou que os países mais desenvolvidos estão tomando medidas para ‘‘diminuir o risco de que a economia global caia numa recessão’’; ele citou como exemplos a reforma bancária no Japão e a recente iniciativa do G-7 de apoiar reformas no sistema financeiro internacional.
Ele também reconheceu que ‘‘precisamos reformar o sistema monetário e financeiro internacional, para minimizar o risco de crises sistêmicas e garantir que, quando crises localizadas ocorram, tenhamos instrumentos de alerta prévio, políticas eficazes e recursos adequados para ajudar países em crise’’. (Agência Estado)

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