Camdessus descarta crise no Brasil
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quinta-feira, 25 de setembro de 1997
Agência Estado Hong Kong 
O Brasil não corre o risco de enfrentar uma crise externa como a da Tailândia porque o governo vem fazendo as reformas necessárias, fortaleceu o sistema bancário e tem feito um manejo inteligente da taxa de câmbio, afirmou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Michel Camdessus. Na entrevista final da Reunião do FMI e Banco Mundial, quase não se falou na crise do Sudeste Asiático, assunto que concentrou atenções nas duas semanas de encontro. E Camdessus cobriu o Brasil de elogios.Confio que os brasileiros continuarão mais uma vez no caminho sólido em que embarcaram com o Plano Real, disse Camdessus, respondendo a perguntas de dois jornalistas da imprensa estrangeira.
Em nada a entrevista do diretor-gerente do Fundo lembrou a irritação do governo brasileiro com a repercussão dos comentários do FMI sobre o déficit externo brasileiro e as divergências entre a equipe econômica e os executivos do fundo em relação à estratégia para conter futuras crises.Se esperavam comentários mais pessimistas do que encontraram no documento Perspectivas da Economia Mundial vou frustrá-los, alertou Camdessus. A repercussão do documento, com alertas sobre o crescente déficit nas contas externas do país e a necessidade de maior aperto nas contas do setor público, irritou a equipe econômica durante a reunião anual do Fundo.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, acusou a imprensa de exagerar na atenção ao documento e chegou a dizer que o governo não precisa do alerta de ninguém.
As declarações do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, no encerramento da reunião anual, foram bem mais de acordo com as expectativas do ministro da Fazenda, Pedro Malan. O que é mais espantoso (striking) é a flexibilidade inteligente com que o governo tem se adaptado às mudanças da situação econômica, sem recorrer ao tipo de câmbio fixo que todos sabem como pode ser custoso, comentou Camdessus. Há quem diga que está muito lenta a desvalorização do câmbio, mas acho que a desvalorização agora tem sido mais rápida, afirmou.É verdade que o déficit em conta corrente é elevado, não desproporcionalmente elevado, mas pelo menos metade dele é financiada com investimentos diretos estrangeiros, disse o principal executivo do fundo
Camdessus repetiu os argumentos levados pela equipe econômica a todos os encontros que tiveram em Hong Kong e pediu calma com o déficit brasileiro em contas correntes (o déficit nas transações de comércio, serviços e transferências internacionais com o exterior).As autoridades trabalham pacientemente para reduzir o déficit em conta corrente, e estão trabalhando árduamente para reforçar o setor financeiro, seguindo adiante com um audacioso plano de privatização, listou Camdessus. O Brasil não precisa do exemplo da Tailândia para saber que direção tomar.
Ao lhe perguntarem sobre os riscos de contaminação da América Latina pela crise financeira que abalou países do Sudeste Asiático, Camdessus chegou a apelar para a geografia. Estes problemas não alcançaram a costa do Mercosul, subiram o Rio da Prata, o Paraná e entraram no Brasil, disse, explicando as razões de seu otimismo. O que me interessa é que o país esteja atuando de forma a reduzir os riscos, com fluência e perseverança, disse. E os trabalhos da equipe do presidente Fernando Henrique Cardoso, depois do êxito do plano Real, trarão o fortalecimento da economia, beneficiando todos os países da região.


