Camdessus admite erros e reafirma apoio
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quinta-feira, 01 de outubro de 1998
Agência Estado 
O diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, em longa entrevista à imprensa internacional dada ontem em Washington, admitiu os erros da instituição, mas defendeu as políticas sugeridas pelo Fundo. Sobre o Brasil, repetiu o que vinha dizendo: o País terá todo o apoio do FMI, desde que avance em sua política fiscal e convença a sociedade de que o caminho escolhido é o melhor, recuperando sua credibilidade.
O diretor do FMI traçou as linhas básicas para a reestruturação do Sistema Financeiro Internacional. Admitiu que a intensidade dos problemas asiáticos não foi prevista, nem tampouco o contágio que transmitiu a crise para as economias vizinhas. A recuperação mundial, observou, passará pelo Japão e pela continuidade da recuperação européia.
Camdessus ironizou as informações de que a Rússia emitirá dinheiro para pagar suas despesas orçamentárias. A inflação, uma decorrência natural das emissões, não conduz a resultado algum, observou.
O FMI não pôde prever a crise asiática e esta afirmação vai perdurar por muito tempo, afirmou Camdessus. Mas, num universo de especialistas que não viram a crise, ao analisar o que ocorreu país por país a partir do primeiro problema, o FMI estava fazendo advertências.
O que não vimos foi a virulência do contágio, tão forte, tão rápido, para golpear sem aviso prévio, como Hong Kong atingiu a Coréia e como a crise na Rússia provocou uma crise de confiança na América Latina, disse Camdessus. Não somos os únicos, na literatura econômica, a ser insuficientes.
O Banco Mundial foi visto como mais otimista, o Fundo é tido como mais pessimista. Não tratamos sempre dos mesmos temas, fazemos nossas próprias análises. Agora, estamos parecendo mais pessimistas. Estamos tentando expressar novas avaliações sobre a natureza dos riscos, e vemos mais fatores negativos do que positivos, no plano imediato.
Aprendemos muito, particularmente sobre o problema central, o Japão. assinalou Camdessus. A desvalorização cambial é muito mais danosa, é melhor ter juros altos durante algum tempo. Aprendemos com a crise, mas é preciso agora aprender antes para que seja possível preveni-las, disse Camdessus. Seria preciso ter uma bola de cristal para saber o que ocorreria na Rússia e na América Latina.


