O diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, em longa entrevista à imprensa internacional dada ontem em Washington, admitiu os erros da instituição, mas defendeu as políticas sugeridas pelo Fundo. Sobre o Brasil, repetiu o que vinha dizendo: o País terá todo o apoio do FMI, desde que avance em sua política fiscal e convença a sociedade de que o caminho escolhido é o melhor, recuperando sua credibilidade.
O diretor do FMI traçou as linhas básicas para a reestruturação do Sistema Financeiro Internacional. Admitiu que a intensidade dos problemas asiáticos não foi prevista, nem tampouco o contágio que transmitiu a crise para as economias vizinhas. A recuperação mundial, observou, passará pelo Japão e pela continuidade da recuperação européia.
Camdessus ironizou as informações de que a Rússia emitirá dinheiro para pagar suas despesas orçamentárias. ‘‘A inflação’’, uma decorrência natural das emissões, ‘‘não conduz a resultado algum’’, observou.
‘‘O FMI não pôde prever a crise asiática e esta afirmação vai perdurar por muito tempo’’, afirmou Camdessus. ‘‘Mas, num universo de especialistas que não viram a crise, ao analisar o que ocorreu país por país a partir do primeiro problema, o FMI estava fazendo advertências’’.
‘‘O que não vimos foi a virulência do contágio, tão forte, tão rápido, para golpear sem aviso prévio, como Hong Kong atingiu a Coréia e como a crise na Rússia provocou uma crise de confiança na América Latina’’, disse Camdessus. ‘‘Não somos os únicos, na literatura econômica, a ser insuficientes.’’
O Banco Mundial foi visto como mais otimista, o Fundo é tido como mais pessimista. ‘‘Não tratamos sempre dos mesmos temas, fazemos nossas próprias análises. Agora, estamos parecendo mais pessimistas. Estamos tentando expressar novas avaliações sobre a natureza dos riscos, e vemos mais fatores negativos do que positivos, no plano imediato’’.
‘‘Aprendemos muito, particularmente sobre o problema central, o Japão’’. assinalou Camdessus. ‘‘A desvalorização cambial é muito mais danosa, é melhor ter juros altos durante algum tempo. Aprendemos com a crise, mas é preciso agora aprender antes para que seja possível preveni-las’’, disse Camdessus. Seria preciso ter ‘‘uma bola de cristal’’ para saber o que ocorreria na Rússia e na América Latina.

mockup