Câmbio valorizado influencia gastos de brasileiros no exterior
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de março de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
A professora aposentada Adazila Freitas costuma viajar para o exterior anualmente. Em maio ela tem viagem marcada para Londres e está comprando dólares em espécie, gradativamente. "O dólar flutua muito, então, estou comprando aos poucos", relata. Segundo a londrinense, a rotina de viagens ao exterior começou no final da década de 1980 e ela ressalta que o câmbio influencia nas decisões de compra.
"Quando o dólar estava equiparado com o real era bom", afirma, lembrando que as compras eram mais fartas. A aposentada ressalta que, para viagens a passeio é possível se programar e esperar um câmbio mais favorável, no entanto, em caso de necessidade, a pessoa fica sujeita às oscilações. Essa dependência do câmbio tem feito os brasileiros moderarem seus gastos no exterior, de acordo com o Banco Central (BC).
Apesar de fevereiro ter registrado o melhor resultado da série histórica para o mês, no primeiro bimestre do ano há redução de 1,5% em relação ao mesmo período de 2013. Segundo dados do BC, os gastos de brasileiros no exterior chegaram a US$ 1,915 bilhão, no mês passado, e superou os gastos do mesmo período de 2013 (US$ 1,862 bilhão). Nos dois primeiros meses deste ano, entretanto, essas despesas somam US$ 4,036 bilhões, com redução em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 4,162 bilhões).
Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, os sinais de diminuição de gastos existem e são resultado da alta do dólar, que registrava média de R$ 2 no primeiro bimestre de 2013 e fechou com média de R$ 2,38 no mesmo período deste ano. Segundo Maciel, na média diária de gastos há uma queda de 6% no bimestre. Para ele, a melhoria de renda dos brasileiros impediu uma queda maior.
Solange Rodrigues, operadora de câmbio na Alta Cash Travel, em Londrina, diz que os clientes que já têm viagem marcada não deixam de comprar dólares, no entanto, a compra da moeda tem sido adiada. "Se formos comparar (com o ano passado), houve, sim, uma leve queda na compra", afirma. "O período de alta do dólar é ruim para nós, porque só compra quem não tem opção", completa Solange. Segundo a operadora, alguns clientes monitoram o câmbio diariamente para saber quando está mais favorável. "O ideal é comprar aos poucos, aproveitando os dias de baixa", destaca.
Angela Reis, gerente da Renova Corretora de Câmbio, observa um fenômeno interessante no comportamento dos clientes. Segundo ela, quando o dólar estava em baixa, como no começo de 2013 (chegou a R$ 1,97 em fevereiro), a venda foi pequena. Depois, quando a moeda começou a se valorizar, os clientes correram para comprar, possivelmente, temendo uma nova alta. O comportamento se repetiu até meados do ano passado.
Imposto
A alta no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para o uso de cartões de débito ou pré-pagos no exterior também mudou o comportamento dos turistas. A alíquota do imposto saltou de 0,38% para 6,38% em dezembro de 2013, ficando igual à cobrada por operações com cartão de crédito internacional. Desde então, as casas de câmbio de Londrina viram cair a procura por cartões e crescer a opção por papel moeda.
Ângela, da corretora Renova, diz que informa aos clientes a cotação do dia sem o imposto e procura estimulá-los a levar o cartão pré-pago, visando a segurança. "Vimos que aumentou o risco para os turistas, bem como o número de assaltos em aeroportos", defende.
Continue lendo:
- O ideal é diversificar, diz consultor
- Agência rebaixa nota de avaliação do Brasil



