Câmbio traz grande preocupação
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terça-feira, 12 de abril de 2011
Vera Rosa e Cláudia Trevisan <br> Agência Estado 
Pequim - A presidente Dilma Rousseff disse ontem, em Pequim, que pretende ''derrubar'' o juro ao longo de seu governo, para torná-lo compatível com a taxa internacional. ''Não vou derrubar depois de amanhã. Estou dizendo que é num horizonte de quatro anos. É possível, sim, perfeitamente. Esse é o desafio que o Brasil vai ter de enfrentar, pelo menos desta vez'', afirmou.
A declaração de Dilma foi ao término de um dia repleto de compromissos entre ela e o presidente da China, Hu Jintao. A presidente admitiu também que o câmbio no Brasil ainda é motivo de ''grande preocupação''. ''Nós temos tomado todas as medidas num quadro em que a política cambial é de câmbio flexível. Todos nós sabemos, perfeitamente, o porquê nós estamos (fazendo isso). Vai desde a política de ajuste dos países desenvolvidos até o fato de que o Brasil ainda opera com taxa de juro mais elevada que o resto do mundo'', argumentou a presidente. ''Não é uma situação que nós resolvamos por decreto.''
Dilma afirmou que o governo está ''consciente, alerta e tomando todas as medidas necessárias para que isso não se transforme em problema maior do que já é.'' Ao ser questionada sobre as reclamações de empresários brasileiros, que dizem ter dificuldade de exportar seus produtos para a China, justamente por causa do câmbio, a presidente disse que o mundo assiste a um processo pelo qual a disponibilidade de grande liquidez provoca processos ''extremamente instáveis'' de valorização de moedas.
Na edição de ontem, a FOLHA mostrou como a apreciação do real ante o dólar prejudica também empresários paranaenses, principalmente no comércio exterior. No ano passado, por exemplo, as exportações da indústria do Paraná caíram 2,2%, enquanto as importações de manufaturados cresceram 50%. Com o real apreciado, a indústria perde competitividade lá fora e, consequentemente, tem diminuída sua capacidade de investimento.


