Brasília - ''Se não tivéssemos feito um superávit primário em 2003 dessa magnitude, seguramente estaríamos numa situação pior'', argumentou Lopes. A economia obtida com a realização de superávits primários serve para conter o avanço do endividamento público por causa dos juros elevados.
A relação entre a dívida líquida do setor público e o total da produção nacional, medida pelo PIB, é um indicador de solvência do País acompanhado de perto pelos investidores internacionais. No caso do Brasil, como os R$ 66 bilhões economizados pelo setor público cobriram apenas um parte das despesas com juros no período, não foi possível evitar o crescimento de R$ 32 bilhões da dívida.
No final do ano passado, a dívida líquida do setor público somou R$ 913,1 bilhões, montante equivalente a 58,2% do PIB. Em dezembro de 2002, esse estoque era de R$ 881,1 bilhões, ou 55,5% do PIB. O governo trabalha não só para frear a escalada do endividamento, mas para reduzir a relação dívida/PIB. A expectativa do BC, segundo Lopes, é encerrar 2004 com um estoque em torno de 57% do PIB, valor ainda considerado alto.
Além da carga de juros, a variação da taxa de câmbio tem um impacto importante sobre a dívida brasileira. Isso porque parte dos títulos públicos em poder do mercado é corrigida com base na cotação do dólar. Ao longo de 2003, o BC conseguiu reduzir a participação dos papéis cambiais de 33,5% da dívida para 20,5% no total da dívida. Ao mesmo tempo, foi possível aumentar de 2% para 11,6% a participação dos títulos prefixados.

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