A elevação dos juros não chegou a causar impacto direto nos negócios com câmbio ontem. Mas serviu como mais um sinalizador de que o governo está disposto a manter a inflação sob controle e evitar maiores saídas de dólares do País. O destaque ontem no mercado de câmbio foi o fato de que a cotação do dólar comercial continuou se mantendo entre R$ 1,55 e R$ 1,60 (essas foram as cotações mínima e máxima do dia).
Operadores não arriscam, ainda, a dizer se esta é a margem de equilíbrio da cotação do dólar. Mas alguns movimentos no mercado ontem indicavam por que esta margem pode estar próxima do equilíbrio. Um desses movimentos foi a volta da liquidez no mercado futuro de câmbio na BM&F. Com o nível de oscilação aberto na BM&F, algumas instituições passaram a reduzir posições compradas no câmbio à vista para buscar hedge cambial no mercado futuro.
Outro movimento foi a melhora de entradas de dólares, tanto na conta de contratos de exportação como na conta de compras financeiras. Apesar de o mercado esperar mais um dia de fluxo cambial negativo, espera-se uma melhora na conta de exportações. ‘‘É importante que as exportações comecem a melhorar para que os exportadores decidam voltar a fechar contratos’’, observou um operador.
Ele explica que, quando o dólar está em alta, os exportadores sentem-se inseguros para fechar seus contratos, temendo que o dólar suba ainda mais. Por outro lado, se a conta de exportações começa a melhorar, os exportadores passam a acreditar que o dólar esteja em um nível atraente para fechar as exportações.
Até as 18 horas, o fluxo cambial mostrava saldo negativo de US$ 236 milhões no comercial e negativo de US$ 24 milhões no flutuante. No mercado de dólar comercial, as exportações somavam US$ 59 milhões, as importações estavam em US$ 147 milhões, as compras financeiras em US$ 140 milhões e as vendas financeiras apontavam US$ 289 milhões. Operadores lembram que, dos US$ 59 milhões de exportações, ainda faltavam US$ 75 milhões para serem registrados em uma operação de exportação feita por uma grande montadora.
As bolsas de valores continuaram em alta pelo terceiro pregão consecutivo. A decisão do Copom, na segunda-feira, de elevar a Tban agradou ao mercado, que considera necessário preservar o real enquanto o ajuste fiscal está em curso. Informações sobre ingressos de dólares no País aliviaram temporariamente a tensão sobre a liberação do câmbio. Os investidores anteciparam ainda a eventual vitória do governo quando da votação do projeto sobre contribuições de servidores federais.
O Ibovespa fechou em alta de 3,75%, com volume financeiro de R$ 644 milhões, engordado pela presença do capital externo. As ações da Eletrobrás foram destaque do índice. O papel PNB subiu 13,1%, enquanto o ON ganhou 12,5%, a segunda e terceira maiores altas. Operadores consideram ainda temerário falar que o pior já passou. Por ora, o mercado tem reagido bem. Mas, segundo um experiente - e bastante cético - executivo, será uma (boa) surpresa se o Brasil conseguir passar pela liberação do câmbio sem traumas. ‘‘Será o primeiro caso na história’’, afirmou.Vanderlei AlmeidaSem traumas?Terceiro pregão consecutivo de alta na Bovespa, ontem: capital externo voltou ao mercado acionário e engordou os negócios
Agência Estado

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