Câmbio retoma equilíbrio em alguns dias, diz Malan
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quarta-feira, 20 de janeiro de 1999
Agência Folha 
Demorará alguns dias, talvez algumas semanas, até que o real encontre seu ponto de equilíbrio no novo sistema de flutuação do câmbio, e o processo de desvalorização da moeda se estabilize, prevê o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Nesse tempo, vamos viver com essa incerteza, essa volatilidade, disse o ministro na manhã de ontem, antes de mais uma rodada de negociações com autoridades do FMI (Fundo Monetário Internacional) e organismos financeiros internacionais.
Porta-voz do compromisso do governo brasileiro em adotar políticas fiscal e monetária ainda mais duras para tentar controlar a desvalorização do real, Malan coordena um esforço para administrar expectativas negativas do mercado. Hoje, o ministro se reúne com o presidente do FED (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) de Nova York, Bill Mac Donough, considerado o principal termômetro do mercado.
Nessa conversa, Malan espera ter uma idéia mais precisa de qual é expectativa real de desvalorização da moeda brasileira. Ainda há muita incerteza sobre a reação do mercado, relatou o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcos Caramuru. Ninguém tem bola de cristal, o importante é passar mensagens certas, comentou.
Por enquanto, o ministro prefere não arriscar uma estimativa sobre o custo do ajuste no câmbio. O custo vai depender, principalmente, do tempo em que as taxas de juros precisarão manter-se altas como recurso para conter a inflação. É cedo para estimar o custo do ajuste. Tem de baixar o grau de ansiedade, avaliou o ministro. Essas flutuações são naturais e as coisas vão se estabilizar, disse.
A definição do novo ponto de equilíbrio do sistema de flutuação do câmbio vem enfrentando pressões em sentidos contrários, disse Malan: enquanto os exportadores (que têm a ganhar com a desvalorização do real) esperam para fechar negócios, importadores e aqueles que têm obrigações em dólar se apressam.
O cenário internacional tampouco contribui para diminuir o grau de incerteza. Esse foi o tom da conversa de Malan com o presidente do FED, Alan Greenspan, anteontem. Greenspan traçou um cenário de insistente redução no fluxo de capitais e de aversão dos investidores ao risco de operar em economias emergentes como o Brasil.
O FMI vai esperar por cenário mais claro de como vai se comportar a economia brasileira para levar adiante o ajuste das metas do programa que garantiu empréstimos de US$ 41,5 bilhões ao Brasil. Isso não ocorrerá antes do final do mês ou do início de fevereiro. Antes disso, está afastada a possibilidade de o governo antecipar o repasse de dinheiro da instituição.


