Colônia (Alemanha) - A perda de competitividade das carnes exportadas pelo Brasil abre brecha para que concorrentes ocupem mais espaço no mercado mundial. Os argentinos, por exemplo, mesmo com todas as dificuldades impostas pelo governo, devem pelo menos dobrar as exportações este ano e chegar a 600 mil toneladas.
''Recentemente conseguimos a aprovação do Canadá, que deve voltar a importar em breve nossa carne. Esse será o primeiro passo para a reabertura do mercado americano'', afirma Carlos Alberto Vuegen, gerente geral do Instituto de Promoção da Carne Bovina da Argentina (IPCVA).
Segundo Vuegen, a pecuária da Argentina passa por um momento de abate de vacas, fenômeno que aconteceu recentemente no Brasil, mas não nega que o câmbio seja um fator favorável às exportações do país.
Para cada dólar que o exportador consegue incluir no valor do produto embarcado, são 3,87 pesos a mais que entram na conta da empresa. ''Temos o câmbio favorável, mas não queremos concorrer com o Brasil em quantidade. Nosso foco é atender o mercado com um produto de qualidade superior'', afirma Vuegen.
Também na disputa pelo mercado da carne bovina internacional, a Austrália tenta se recuperar dos problemas climáticos e da crise de crédito que foi enfrentada pelos importadores. ''A crise de crédito prejudicou os exportadores australianos, mas temos importantes mercados para atender, como Estados Unidos, Japão, Coreia e a própria Europa'', afirma David Jones, gerente da Meat&Livestock Australia (MLA).
Para Roberto Giannetti da Fonseca, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o câmbio é o responsável pela perda de espaço do Brasil no mercado internacional. ''Os outros países só não tomam mais espaço porque não conseguem ter volume suficiente para isso. A relevância brasileira no exterior é tanta que poderemos ver nos próximos meses um encarecimento da carne no mercado internacional'', afirma Giannetti.
Ele explica que, por conta do dólar, o mercado interno passa a ser mais rentável para as indústrias. Com menos oferta para o exterior, o preço médio das carnes em geral tende a subir, o que em última estância pode limitar o consumo em países com menor poder de compra ou que consomem cortes mais baratos.
''A Rússia, por exemplo, que compra os cortes mais baratos, chegou a representar 33% de nossas exportações e hoje esse porcentual já caiu para 25%'', afirma Giannetti. Para ele, além da Rússia, será difícil continuar atendendo países do norte da África e a Venezuela, que são mais sensíveis às oscilações de preço.
*O repórter viajou a convite da Abef

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