Câmbio pode paralisar agronegócio no País
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terça-feira, 04 de abril de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
As atividades ligadas ao agronegócio estão se tornando inviáveis no País. O momento é tão preocupante que está sendo apontado como uma das mais graves crises do agronegócio dos últimos tempos. A atual política cambial é apontada como a principal vilã para a falência do setor. Esse cenário ainda está aliado à estiagem, que tem afetado as lavouras nos últimos três anos. ''Se continuarmos com essa linha (política econômica) não tem como continuar sobrevivendo. Vai haver uma paralisia generalizada no agronegócio'', afirma Alfredo Lang, presidente da Cooperativa C.Vale.
A cooperativa, com sede em Palotina (96 km ao norte de Cascavel), atua no segmento agroindustrial em 21 municípios do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraguai. Segundo ele, no MT a crise é ainda pior do que a registrada no PR. Naquele estado, a produtividade foi boa mas, mesmo assim, os agricultores não estão conseguindo quitar suas dívidas. Além de lidar com a política cambial, o custo de produção é maior devido ao frete, mais caro por causa da distância do Estado dos portos e dos grandes mercados consumidores e fornecedores. ''No extremo Norte do Mato Grosso a situação é extremamente crítica, não compensa mais plantar'', comenta.
O problema é que os agricultores têm que lidar com os baixos preços recebidos ao mesmo tempo em que os custos de produção não caem na mesma proporção, apesar de também serem atrelados ao dólar. ''Na época do plantio o dólar estava mais alto do que o atual patamar. A queda dos preços dos insumos também é mais lenta'', observa Lang. Segundo ele, o dólar cotado a R$ 3 já seria um bom valor para os agricultores. No entanto, se a cotação estivesse na casa dos R$ 2,70, as contas do agronegócio já poderiam ser equilibradas. ''Com esse valor não haveria essa crise que estamos vendo'', diz.
Segundo ele, a atual situação também está ''revoltando'' os agricultores. ''Os produtores estão entrando em desespero porque estão sem dinheiro e sem compradores. Não podemos mais dimensionar a reação que eles podem ter. Certamente eles irão agir, só ainda não sabemos de que forma, mas eles estão sendo levados por essa situação crítica'', avalia. A alternativa sugerida para começar a amenizar a crise é a redução das taxas de juros.
Mesmo recebendo uma produção maior, o faturamento da cooperativa caiu 11,72% no ano passado, comparando com 2004. Por isso, ele lembra que o governo federal precisa dar mais atenção ao agronegócio. O setor é responsável por 37% dos empregos e por 40% das exportações do País. O assunto foi discutido no início desta semana entre lideranças paranaenses e o governo federal. No foco estão o alongamento das dívidas e custeio e a desoneração da carga tributária de alguns setores.
Cidadão - Alfredo Lang recebeu o título de cidadão honorário do Paraná no final do mês passado. A cerimônia reuniu mais de 400 pessoas em Palotina. Gaúcho, Lang está no Paraná há 31 anos e atua há 30 na C.Vale. A cooperativa tem 40 unidades de recebimentos de cereais, 6 indústrias e 6 supermercados. Ranking da Revista Exame, de julho do ano passado, aponta a C.Vale como a segunda maior cooperativa do País em faturamento. Só em 2005, o faturamento foi de R$ 1,13 bilhão. Há 37 anos no mercado, a cooperativa tem cerca de 4 mil funcionários e 7,7 mil associados.


