Com a adoção da livre flutuação do dólar, a incerteza e o alto risco deixaram de ser características apenas das Bolsas de Valores e do dólar. No novo cenário, até mesmo os fundos de renda fixa DI não oferecem segurança, uma vez que a inflação, que parecia ter sido sepultada, poderá fazer com que o rendimento real da aplicação (acima da variação dos preços) fique negativo num ou noutro mês. Aí, CDBs e caderneta, prefixados, ganham risco ainda maior. Por isso, o investidor precisa saber que qualquer opção de investimento hoje embute seus riscos.
O diretor-geral da Banque Nationale de Paris (BNP) Asset Management, André Pires, lembra que, quanto maior a desvalorização do real, maior o impacto sobre a inflação. E, no momento, diz ele, ainda é difícil prever em qual nível de preços o dólar vai estabilizar-se.
Mesmo com o risco de a renda fixa pagar um rendimento real inferior à inflação em algum mês, Pires recomenda os fundos DI como a melhor opção para quem tem gastos em reais, uma vez que as taxas de juros deverão continuar altas no curto prazo. Ele ressalta que os fundos DI, como seguem a oscilação dos juros, são a escolha mais segura da renda fixa. Hoje, os juros básicos da economia estão em 32,5% ao ano. O nível das taxas é indicado pelo Banco Central (BC) diariamente, em sua atuação no overnight. Se o fluxo cambial continuar negativo, pressionando o dólar, é possível que a autoridade monetária volte a elevar os juros, que estão em 32,5% desde quarta-feira.
Uma incerteza adicional na renda fixa é que o BC está segurando as taxas nesse nível, enquanto as cotações dos contratos futuros de juros estão em forte aceleração, por conta da alta do dólar. Com isso, os bancos estão emitindo poucos CDBs, a taxas desencontradas, apenas para cobrir as pequenas necessidades de recursos dos departamentos de crédito, segmento praticamente paralisado.
Para quem tem alguma dívida em dólar ou acredita em novas desvalorizações do real, Pires indica os fundos cambiais como boa opção de investimento. É uma forma de proteger o patrimônio em dólar. Mas o investidor também pode acabar perdendo dinheiro nesses fundos. Se o fluxo cambial voltar a ficar positivo, o que pode ocorrer se os exportadores começarem a fechar contratos de câmbio mais agressivamente, as cotações do dólar tendem a recuar.
Se a instabilidade virou regra na renda fixa e no câmbio, ela continua mais do que presente nas Bolsas. No curto prazo, a tendência é de fortes e bruscas oscilações nos preços das ações. Enquanto as cotações do dólar continuarem oscilando muito, as Bolsas tendem a seguir sem rumo definido. Mas, a partir do momento que houver uma estabilização do preço da moeda norte-americana, é possível que os mercados acionários tenham alento importante, já que as ações das empresas estão muito baratas em dólar, diz Pires.

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