Câmbio livre não estimula venda antecipada do grão
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Andrea Vendramini 
A turbulência no mercado financeiro ocasionada pela livre cotação do dólar parece não ter interferido na venda antecipada da soja, mas movimentou os estoques restantes da safra anterior. Os produtores ligados à Coopacol, em Cafelândia, aproveitaram a elevação do dólar para vender cerca de 40% do produto ainda armazenado em função do baixo preço. A saca de 60 quilos, cotada antes a R$ 12,40, chegou a R$ 16,10, garantindo maior lucratividade do produto. A safra de verão prevista da Coopacol - com 4.000 produtores de soja associados - é de 170 mil toneladas.
Segundo o gerente comercial da Coopacol, Paulo Buss, a desvalorização do real não afetou significativamente as vendas da soja no mercado futuro. Ao mesmo tempo que a alta do dólar favorece a venda antecipada porque torna os preços mais atrativos, a instabilidade prejudica essa mesma modalidade de comercialização, diz.
Buss explica que a desvalorização do real deve influenciar a venda da soja no mercado interno, no pico da colheita. A venda do produto no mercado externo, alerta, também é fraca. O motivo é o preço abaixo da média histórica. Atualmente, o preço da saca está na faixa de US$ 9,30, enquanto o preço considerado ideal ultrapassa UU$ 12.
O analista da área de Agronegócios do Banco do Brasil, João Aguiar, comenta que a desvalorização do real aumentou a lucratividade dos produtores que venderam antecipadamente. O mesmo aconteceu nas vendas à vista, já que os preços subiram. O preço do farelo de soja, por exemplo, aumentou 60% desde o início de janeiro até a semana passada - reflexo da desvalorização, acrescida da margem de risco embutida pelo vendedor. O mercado, entretando, está praticamente parado desde a flutuação do dólar. Compradores e vendedores aguardam uma estabilização, diz Aguiar. Ele aconselha a venda da soja da forma mais escalonada possível, já que o preço está sujeito à chuvas e trovoadas.
A Cocamar, em Maringá, aconselha os produtores a terem cautela para comercializar a soja. O vice-diretor, José Fernandes Jardim Júnior, lembra que, apesar da expectativa de lucros maiores, a cotação da soja pode ficar abaixo da média histórica de US$ 10/saca devido à forte pressão da oferta que pode acontecer, principalmente de fevereiro a abril. Os principais motivos são os grandes estoques mundiais e a expectativa de safras recordes no Brasil, Estados Unidos e Argentina. O agricultor deve distribuir a comercialização ao longo do ano, procurando beneficiar-se com possíveis alterações no panorama internacional, aconselha o Jardim Júnior.


