Câmbio livre entra no 3º dia sem disparar dólar
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - Apesar de prevista para os primeiros dias da livre flutuação do peso, a temida disparada do dólar não se concretizou, para alívio do governo argentino. Ontem, terceiro dia de câmbio livre no país, o dólar chegou a apresentar uma ligeira queda e fechou a 1,95 peso para venda e 2 pesos para compra. Nas casas de câmbio, o maior movimento registrado hoje foi de pessoas vendendo a moeda americana.
A estréia relativamente tranquila do câmbio flutuante na Argentina garantiu uma reabertura bem comportada dos negócios no mercado brasileiro. Hoje, o dólar comercial recuou 1,99%, e foi cotado a R$ 2,411.
Também não se verificou por aqui nenhum impacto da decisão do governo da Venezuela de adotar o câmbio flutuante em substituição a um sistema de bandas cambiais, em vigor a partir de ontem. Em nenhum dos dias anteriores houve necessidade de o Banco Central argentino intervir no mercado de câmbio. O dólar chegou a ser negociado ontem a 2,10 pesos na abertura dos mercados, mas o preço caiu à medida que se comprovava a falta de demanda pela moeda. Os especialistas explicam o comportamento tranquilo do mercado de câmbio à grande oferta dos pequenos poupadores que precisaram vender seus dólares para os gastos cotidianos e pagamento de dívidas.
Outra razão apontada é o pouco movimento entre as grandes empresas e bancos pela demanda da moeda. Os donos das casas de câmbio dizem também que as pessoas estão evitando comprar dólares por causa das exigências de apresentar documentos de identidade, além de ser necessário preencher um formulário para a compra.
Pouco dinheiro - O economista Julio Callegari, da Tendências Consultoria Integrada, diz que o dólar não dispara na Argentina porque não há oferta de pesos na economia que justifique a desvalorização excessiva da moeda. Isso porque o semicongelamento de depósitos continua, ainda que tenha sido flexibilizado. O diretor de Tesouraria do banco Lloyds TSB, Pedro Thomazoni, concorda com Callegari, lembrando que boa parte das empresas argentinas está sem dinheiro em caixa, por causa da recessão.
Isso não quer dizer, no entanto, que a Argentina esteja livre de desvalorizações mais fortes nos próximos meses, afirma Callegari. O mercado futuro, diz ele, projeta uma taxa de câmbio a 3 pesos em maio e de 4,50 pesos daqui a 12 meses. Callegari lembra que, ainda que a conta-gotas, os argentinos seguem retirando recursos do sistema financeiro. Ele cita uma estimativa do economista Miguel Angel Broda, de que os depósitos devem cair 2,2 bilhões de pesos em fevereiro.


