Câmbio livre argentino estréa na segunda-feira
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quinta-feira, 07 de fevereiro de 2002
Agência Folha 
Buenos Aires A Argentina adiou mais uma vez a estréia do regime de câmbio livre. O ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, anunciou ontem que só na segunda-feira será reaberto o mercado cambial.
De forma inusual, Lenicov rompeu o protocolar silêncio em relação ao comportamento de organismos internacionais ao dizer que deveria ter havido uma resposta mais contundente do FMI (Fundo Monetário Internacional) ao plano econômico anunciado no domingo.
O plano ao qual o ministro se refere determinou o fim do sistema de câmbio duplo, a que o governo recorrera para não ter que efetuar diretamente a transição do sistema de câmbio fixo (com paridade de um por um entre o peso e o dólar) para a livre flutuação da moeda, como exigia o Fundo.
O mesmo pacote estabelece a pesificação (conversão de dólares para pesos) de todos as dívidas e depósitos e repassou ao Estado os custos das perdas que o sistema financeiro terá com o processo.
De acordo com o ministro, a Argentina vive o dilema do ovo e da galinha. Eles nos pedem um programa econômico, e nós precisamos de apoio para um programa. Por isso, para romper esse círculo, fizemos os anúncios (do novo pacote). Teria sido ótimo se junto com o plano tivéssemos anunciado um apoio do FMI, disse Lenicov.
Esta pergunta você faça ao Fundo e depois me diga a resposta, replicou quando uma repórter lhe indagou se não estaria demorando muito o socorro. E acrescentou: Deveria ter havido uma resposta mais contundente (do FMI) ao plano econômico. O país está em um desfiladeiro. No final de semana deverá chegar a Buenos Aires o chileno Tomás Raichman, responsável pela auditoria das contas argentinas. Raichman vai analisar o projeto de Orçamento de 2002, que o governo apresentará na próxima semana no Congresso. De acordo com Lenicov, está prevista uma queda de 4,5% do PIB e de inflação de 15% no ano embora a de janeiro já tenha sido de 2,3%.
O FMI não fez nenhum pronunciamento sobre o pacote o segundo da gestão de Eduardo Duhalde. Principal acionista do Fundo, os EUA limitaram-se a emitir, na segunda-feira, um comunicado de apoio ao país. Ontem, o subsecretário de assuntos internacionais do Tesouro americano, John Taylor, não foi muito além.


