Câmbio livre ainda é incógnita na fronteira
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sexta-feira, 04 de janeiro de 2002
Patrícia Iunovich 
Puerto Iguazú O fim da paridade do peso com o dólar, anunciado pelo novo presidente argentino, Eduardo Duhalde, pode criar uma situação adversa na fronteira do Brasil com a Argentina. Se a desvalorização do peso frente ao dólar e, por consequência ao real, é a principal esperança dos comerciantes de Puerto Iguazú município vizinho de Foz do Iguaçu , para ressuscitar a economia local, para os comerciantes de um bairro inteiro de Foz pode significar falência de boa parte do comércio.
A desvalorização do peso em relação ao real pode tornar novamente vantajoso para os brasileiros fazer compras na cidade vizinha, mas ao mesmo tempo dificultar os negócios para os comerciantes de Foz do Iguaçu, que têm as vendas voltadas para o mercado de Puerto Iguazú. Desde que a Argentina instituiu a paridade do peso ao dólar, a rota de compras na fronteira se inverteu. Os moradores argentinos de cidades fronteiriças passaram a comprar nos mercados e lojas de Foz.
O comércio da região do Porto Meira, próximo à fronteira, ganhou impulso. Cerca de 90% das vendas dos pontos comerciais do bairro são voltadas para os argentinos. São principalmente supermercados e lojas de material de construção e de vestuário.
Na tentativa de barrar o consumo desenfreado dos argentinos no comércio brasileiro, o governo argentino criou várias medidas protecionistas, como a instituição de uma cota mensal de compras de alimentos com restrições de horários e dias e suspensão de cota de bens duráveis, entre outras.
Puerto Iguazú vive uma crise sem precedentes desde 1991. Segundo levantamento da Câmara de Comércio local, dos 1.200 pontos comerciais que existiam na época, 600 fecharam na última década. Com a falência de parte do comércio houve um grande êxodo. Menos de 15 mil dos 28 mil habitantes registrados até 91, permaneceram na cidade.


