O dólar abaixo de R$ 1,60 inviabilizou as exportações de madeira na Águia Florestal, de Ponta Grossa. O mercado internacional era responsável por quase todos os negócios da empresa. E, na semana passada, a diretoria resolveu parar tudo e buscar alternativas. ''Terminamos um ciclo hoje'', disse o presidente Álvaro Luiz Scheffer na sexta-feira.
Ele lembrou que, em 2003, quando os negócios da fábrica estavam a todo vapor, a moeda norte-americana valia R$ 3,70. ''De lá para cá, tivemos inflação, aumento do salário mínimo, da energia elétrica, de uma série de custos em reais. E, com o dólar a R$ 1,58, não dá para trabalhar.''
Há 8 anos, a empresa exportava mensalmente seis mil metros cúbicos de madeira, painéis colados e vigas laminadas. Quando decidiu parar, na semana passada, essa quantidade havia caído para 4 mil metros cúbicos. Segundo o presidente, para que a Águia se mantivesse bem no mercado internacional, a moeda norte-americana precisaria estar em R$ 1,86. ''Este seria o ponto de equilíbrio para nós.''
Na Aesa, fábrica de molas de Cambé, o câmbio ainda não prejudicou os negócios, mas, nas últimas semanas, tem tirado o sono dos diretores. A empresa, que tem 20% de seu faturamento provenientes das exportações para países das Américas do Sul e Central, vinha conseguindo renegociar preços com seus clientes a cada queda da moeda norte-americana.
''Mas com o dólar a 1,58 fica muito difícil'', afirmou o diretor Comercial e Financeiro, Andre Bearzi. Segundo ele, a proximidade da fábrica dos principais compradores estrangeiros é o que ainda segura a clientela. Seus principais concorrentes estão na Malásia, Índia e China. ''Ainda não fiz nenhuma negociação depois que o dólar chegou neste patamar'', contou.
Ao contrário da indústria, que padece com a questão cambial, o agronegócio vem passando ao largo do problema. O diretor geral da Associação Nacional dos Exportadores de Grãos (ANEC), Sérgio Mendes, diz que setor não está sendo prejudicado porque o preço das commodities vêm sendo reajustado no mercado internacional. ''Uma coisa compensa a outra'', afirmou.
Apesar disso, ele reclamou que o real apreciado desequilibra os custos de frete praticados no Brasil e nos principais países concorrentes. ''Imagine um trajeto que na Argentina sai a 150 pesos e aqui a R$ 160. Então, o frete para o produtor argentino vai custar 50 dólares e para o brasileiro, 100 dólares'', calculou.(N.B.)

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