Câmbio faz despesa financeira subir 65%
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quarta-feira, 02 de abril de 2003
Eduardo CucoloAgência Folha 
São Paulo - O estrago provocado pela alta do dólar nos balanços das empresas abertas em 2002 pode ser medido pelo aumento de 65% nas despesas financeiras (pagamento de juros e dívidas ou operações realizadas no mercado de câmbio) no período.
Segundo dados da consultoria Economática, que analisou 205 companhias não-financeiras que publicaram até março seus balanços (incluindo a Petrobras), as despesas financeiras somaram R$ 84,9 bilhões, contra R$ 51 bilhões no ano passado. Esse aumento foi causado, principalmente, pela valorização de 52,3% do dólar em relação ao real.
O endividamento dessas empresas teve um aumento de 6%, totalizando R$ 264 bilhões, enquanto o patrimônio sofreu uma redução de 17,8%, para R$ 296 bilhões. Com isso, a relação dívida/patrimônio passou de 69% no ano passado para 89%.
A empresa que mais perdeu com o dólar foi a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), cuja dívida é de quase R$ 12 bilhões. Em 2002, somente a variação cambial fez a companhia perder R$ 3,375 bilhões e a levou a um prejuízo recorde de R$ 3,417 bilhões, o maior registrado por uma empresa brasileira no ano passado.
Até as gigantes estatais que fecharam o ano no azul foram afetadas pelo dólar.
A Petrobras, maior empresa brasileira, teve queda de 17,98% no lucro devido ao impacto da variação cambial em sua dívida e ao menor repasse do aumento do petróleo e do dólar nos preços dos combustíveis.
A alta do dólar no ano passado resultou em uma despesa financeira de R$ 2,1 bilhões para a empresa, reduzindo o lucro para R$ 8,098 bilhões - ainda assim, o maior entre as empresas brasileiras.
A desvalorização do real também afetou o resultado da Eletrobrás e reduziu o lucro da estatal em dois terços (66%) em relação ao ano anterior. A maior empresa de energia do País teve lucro de R$ 1,1 bilhão em 2002, contra R$ 3,3 bilhões em 2001.


