Agência Folha
De São Paulo
A Semana da Criança vai ser uma brincadeira para a indústria de bonecas, carrinhos e jogos. Se tudo o que as fábricas estão produzindo e as lojas comprando cair nas mãos das crianças, como está previsto, as vendas proporcionadas pelo evento serão as melhores dos últimos quatro anos.
A expectativa da indústria é faturar com o Dia da Criança, comemorado em 12 de outubro, R$ 325 milhões, 8,3% a mais do que em igual período de 98, calcula a Abrinq (associação que reúne os fabricantes). Essas vendas só perdem para 94, o melhor ano, quando somaram R$ 400 milhões. A alegria da indústria de brinquedos tem razão de ser. Os concorrentes estrangeiros foram afastados com a barreira tarifária concedida ao setor que, em contrapartida, comprometeu-se a modernizar fábricas, ganhar competitividade, caprichar nos brinquedos e empregar mais trabalhadores. Em julho de 96, o Imposto de Importação de brinquedos chegou a 70%. Foi diminuindo gradualmente e, hoje, está em 38%. No ano que vem, cai para 20%, como era antes da salvaguarda.
No acordo com o governo, esse tempo seria suficiente para tornar as fábricas mais competitivas. O que os fabricantes não esperavam é que, além da proteção tarifária, teriam também um benefício cambial. Com a desvalorização do real, o brinquedo importado ficou caro. Mais uma brecha para a indústria nacional colocar seus produtos nas lojas.
Animadas, as indústrias vão lançar 1.500 brinquedos para o Dia da Criança, 15% a mais do que no ano passado. Também vão gastar mais com propaganda – R$ 10 milhões, 8% a mais do que em 98 – informa a Abrinq. Elas vão despejar no comércio a partir do final deste mês 70 milhões de brinquedos e, segundo os fabricantes, mais baratos. O preço médio do produto, segundo a associação, é hoje de R$ 4,04 – 5% menos do que em 98 e 25% mais barato do que em 96. Pelo levantamento da Fipe, de julho de 94 a agosto de 99, a queda real (descontada a inflação) do preço médio dos brinquedos foi de 21% em São Paulo.
Das dez indústrias de brinquedos ouvidas pela reportagem, oito estão bastante entusiasmadas com o Dia da Criança. A Estrela prevê faturar 25% a mais. A Lego, a Elka e a Gulliver, 20%. A Toyster, 15%. A Mattel, 10%. A Tec Toy e a Battat esperam vender o mesmo que no ano passado. A Estrela informa que já vendeu 90% do volume programado para o Dia da Criança, que é 30% maior do que o do ano passado.
‘‘O preço médio dos nossos brinquedos caiu 5% e estamos recuperando o espaço perdido para os importados em 95 , diz Carlos Tilkian, diretor-presidente. A Estrela preparou para o evento o lançamento de cem produtos e uma campanha publicitária de R$ 10 milhões. A grande aposta é na boneca Susi, que já é o carro-chefe da empresa. O preço para o consumidor, segundo a empresa, pode variar de R$ 12 a R$ 48.Indústria espera faturar 8,3% mais este ano sobre o movimento de 98 com as vendas de 12 de outubro
Arquivo FolhaPROMESSA DE ECONOMIAIndústria nacional pretende despejar no comércio a partir do fim do mês 70 milhões de brinquedos. Segundo os fabricantes, produtos vão chegar às prateleiras a preços mais baixos

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