Câmbio ético evita operações ilegais com moedas
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
A venda ou compra de moeda estrangeira promete ser expressiva nos próximos anos, devido ao crescimento em negócios ligados ao turismo externo e interno. O Brasil faturou US$ 4,953 bilhões em 2007, um crescimento de 14,75% se comparado ao ano de 2006. As agências de turismo estão sendo cobradas pelo Banco Central a se transformarem em instituições financeiras e o prazo termina no dia 31 de maio de 2009.
Esta mudança comandada pelo BC quer evitar que operações ilegais com moedas contribuam para o tráfico de drogas, descaminho, dinheiro falso, evasão de divisas. O ''câmbio ético'', como está sendo chamado, balançará as estruturas da ilegalidade, dando uma visão mais cidadã para turistas e negócios dentro e fora do País.
Quem preconiza esse novo momento para o setor de câmbio de moedas estrangeiras é André Luiz Nunes Silva, sócio-proprietário do Grupo Fitta (empresa que negocia moeda estrangeira), pós-graduado na Puc-Rio e formado pelo Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (Ibmec). Ele diz que cerca de 10% de 400 agências de turismo credenciadas no País sobreviverão à condição de se transformarem em instituições financeiras.
''No Paraná existem cerca de 40 destas agências, apenas quatro vão sobreviver'', prevê Nunes, ao descrever que o BC fará um ''pente-fino'' na vida dos futuros diretores das instituições financeiras de câmbio. ''Quem tiver ficha limpa poderá atuar neste mercado'', alerta.
Segundo Nunes, o mercado de câmbio foi alterado em 2005, com a extinção da Consolidação das Normas Cambiais (CNC) e a criação do novo Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, conhecido pela abreviatura de RMCCI. Depois disto, houve várias resoluções propondo alterações, e em maio de 2008, a Resolução de número 3265, normatizou as negociações com moeda estrangeira como sendo atividade exclusiva de instituições financeiras. ''Até 31 de maio de 2009, estas agências de turismo ou se tornam instituições financeiras ou se unem a uma instituição financeira de câmbio'', explica.
Nunes conta que apareciam duas situações negativas até maio de 2008, que comprometiam o mercado de moeda estrangeira. ''Havia as agências de turismo que utilizavam o nome apenas como fachada. Eram empresas que faziam negócio com o narcotráfico, com o descaminho e todo tipo de ilegalidade'', lembra. Ele fala de uma outra situação mais ''grave'', citando agências que estampavam dentro de seus estabelecimentos placas com dizeres de que estavam autorizadas para negociar moeda estrangeira, mas sequer tinham registro no BC para tal atividade. ''O estrangeiro vinha aqui e não entendia como é que podia haver um agência não autorizada funcionando. Daí nossa imagem lá fora ficava arranhada, com estes turistas encarando nosso povo como sendo trambiqueiro, cucaratcha''.


