Câmbio eleva preço de defensivos em SP
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de janeiro de 1999
Lúcia Monteiro e Kelly Lima Agência Estado 
O preço dos defensivos agrícolas em reais já subiu em média 20% desde quarta-feira passada no interior de São Paulo, com a desvalorização cambial. Muitas revendas de defensivos e fertilizantes estiveram fechadas na quinta, sexta, sábado e ontem e estão retomando suas atividades hoje, com preços maiores em reais. As vendas em reais só estão acontecendo mediante pagamento à vista, e as vendas à prazo estão sendo negociadas em dólar. Há notícias de remarcação, em menor percentual também nos Estados do Sul e Minas Gerais. As multinacionais que fornecem insumos agrícolas para as revendas cobram em dólar, com prazos de até 90 dias. As revendas com menor agilidade operacional tiveram necessidade de paralisar suas vendas para remarcar os preços ante a alta do dólar.
Na Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia (Carol), os preços dos defensivos subiram cerca de 20% nesta semana, afirmou Ithiel Parada, gerente de compras da cooperativa. A maioria dos defensivos é de multinacionais e tem o preço cotado em dólar. As vendas estão sendo feitas segundo o câmbio do dia, disse. Parada explicou que a cooperativa adquire os defensivos de multinacionais para pagar pelo 63 Caipira, ou seja, variação cambial mais taxa de juros. Por isso, segundo ele, toda variação cambial será repassada para os consumidores. A reação imediata dos consumidores foi paralisar as compras. Mas hoje quem está necessitando de defensivos está retomando as compras.
Parada afirmou que não sabe como estão oscilando os preços de fertilizantes. A Carol não está comprando fertilizantes nesse momento, pois o plantio já está finalizado. Na Coopercitrus, de Bebedouro, os preços dos defensivos agrícolas estão aumentando diariamente, desde quarta-feira da semana passada, de acordo com as altas do dólar, segundo o gerente de compras Reinaldo Giovanni. Os preços em real já subiram 23%, afirmou.
Insumos As principais revendas de insumos e defensivos agrícolas da região de Ribeirão Preto suspenderam as vendas desde a desvalorização do câmbio na última quarta-feira, na espera de uma maior estabilização dos preços cotados em dólar. Seria injusto com os clientes e até mesmo conosco negociar uma tabela de preços que oscila demasiadamente de hora em hora, afirmou José Carlos Vieira Machado, controler da Zêneca do Brasil, instalada em Cravinhos. A revenda, que faturou no ano passado R$ 220 milhões com a venda de insumos e defensivos, opera principalmente na área de soja (50% do faturamento), além de cana-de-açúcar, laranja e café.
Segundo ele, as vendas só deverão ser normalizadas após a próxima quinta-feira. O controler acredita que as votações no Congresso Nacional marcadas para a quarta-feira podem devolver a estabilidade ao mercado.


