Em pleno período de compra de insumos para a safra de verão, que ocorre principalmente entre os meses de junho e julho, os produtores paranaenses estão pagando mais caro pelos produtos importados devido ao preço do dólar, que vem registrando sucessivas altas nos últimos meses. Segundo o gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, a moeda norte-americana valorizou em torno de 7% somente entre os dias 3 e 28 de junho, fechando o mês cotada a R$ 2,23.
De acordo com dados da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F/Bovespa), o valor da moeda norte-americana registrada no dia 3 de junho (primeiro dia útil) era de R$ 2,14. A partir dai, segundo dados da instituição, o dólar começou a registrar um aumento progressivo no decorrer do mês. "Isso prejudica os produtores porque a maioria dos insumos, principalmente os fertilizantes, é importada", explica o especialista da Ocepar. Turra completa que muitas cooperativas paranaenses já fizeram a contratação dos insumos, "umas negociaram esses produtos em dólar e outras em real". Ele não soube informar à reportagem o percentual da escolha de cada cooperativa porque varia conforme a estratégia de cada uma.
Turra destaca que a cooperativa que optou pela compra de insumos em dólar, certamente vai pagar mais caro. "Quem adquiriu em reais, está com a conta resolvida", salienta o gerente técnico.
Segundo Carlos Hugo Godinho, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em 2012 o preço do dólar não foi tão elevado como está neste ano. "No dia 15 de junho do ano passado, a moeda americana estava cotada a R$ 2,04. No mesmo período deste ano, o preço da moeda saltou para R$ 2,15", compara.

Precaução
Para evitar a surpresa das oscilações do câmbio, alguns produtores e cooperativas optaram pela compra antecipada dos insumos. Edson Oliveira, gerente da área de fertilizantes da cooperativa Integrada, revela que 80% do produto que será utilizado na safra 2013/14 já foi adquirido e repassado para os agricultores cooperados. "O restante deverá comprar o insumo nos próximos meses, podendo pagar até 10% a mais no valor da tonelada", lamenta o gerente.
Oliveira destaca que a cooperativa já começou a entregar os fertilizantes nas propriedades nas regiões Norte e Oeste do Estado. Samuel Romeiro Sanches, produtor na região de Londrina, fez a compra dos seus fertilizantes já em março, quando pagou R$ 1,7 mil a tonelada. Segundo ele, se fosse para adquirir o produto agora, por exemplo, pagaria, no mínimo, R$ 2 mil pela tonelada. "Sempre faço a compra antecipada para aproveitar os melhores preços", conta Sanches.
Ao todo, o produtor adquiriu para a safra 2013/14 em torno de 35 toneladas de fertilizantes que deverão cobrir 192 hectares de área plantada com soja no próximo ciclo. Sanches espera colher 62,5 sacas por hectare, mesmo índice registrado na produção da oleaginosa na safra anterior. O gerente da Integrada alerta que os produtores que ainda não compraram seus insumos, que adquiram logo porque a tendência é de aumento nos preços dos insumos. Segundo ele, a partir de agosto, começa a descer menos caminhões ao porto de Paranaguá, o que reduz a frota e, consequentemente, eleva o preço do frete.

Imagem ilustrativa da imagem Câmbio eleva os preços dos insumos importados
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