As exportações de bens de capital a partir de Londrina aumentaram 37,8% no acumulado de janeiro a outubro sobre o mesmo período do ano passado, puxadas principalmente pela desvalorização do real em relação ao dólar em 2015. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) apontam que a cidade registra alta tanto nas vendas ao exterior (7,9%) quanto nas importações (8,4%) no mesmo comparativo, mas que são os embarques de equipamentos, máquinas e peças que têm dado fôlego à economia local.
Houve queda de 8,5% nas exportações de bens de consumo, representados por veículos e roupas, por exemplo. No caso dos bens intermediários, a alta foi de 13,0% no acumulado do ano, com destaque para a elevação de 65,2% no subitem alimentos e bebidas para a indústria e de 31,6% em peças e acessórios de equipamentos de transporte, que anularam a queda de 37,6% no subtipo insumos industriais, conforme o MDIC.
As exportações de acumuladores elétricos, ou baterias, aumentou 33,9% no acumulado do ano em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas somaram R$ 3,7 milhões até outubro de 2015 ante R$ 2,7 milhões nos dez primeiros meses de 2014. Ainda, os embarques de refrigeradores, congeladores (freezers) e máquinas e aparelhos para a produção de frio tiveram ampliação de 152,7%, ao passarem de R$ 75,3 mil para R$ 190,4 mil no mesmo comparativo.
O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), afirma que já há sinais de início de recuperação da clientela no exterior para alguns setores que mantiveram contato com compradores, mesmo em épocas de menor competitividade. "São estes que estão retornando aos níveis de exportação da década passada e é o câmbio que tem favorecido esse início de recuperação", diz.
Para Zurcher, manter o mercado internacional aberto pode até ser prejudicial às finanças em alguns momentos, mas é uma questão estratégica. Isso porque são preciso meses para recuperar a clientela quando a decisão de exportar surge apenas depois da valorização do dólar. "Temos de considerar o externo e o interno como complementares, direcionando os esforços mais para onde o retorno é mais propício", diz.
Cenário que não dá otimismo ainda ao economista. Ele explica que o Paraná costuma ser um dos estados que se recupera mais rapidamente de conjunturas negativas. Porém, diz que o mercado interno, que representa o grosso da receita das empresas, ainda está em queda. "Depois de votadas as medidas econômicas propostas pelo governo federal, o País deve demorar de seis a nove meses para sentir os efeitos", conta Zurcher.
O vice-presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina (Sindimetal), Ary Sudan, credita apenas ao câmbio o aumento das vendas de industrializados. "Era difícil competir pelo alto custo da produção aqui em relação ao exterior e o que cresceu agora foram as exportações de manufaturados, porque o preço dos agrícolas caiu, mas a valorização do dólar fez com que ainda valesse a pena."
Sudan também não vê o fato como motivo de comemoração. "Vai reduzindo o impacto negativo, porque o deficit ainda é grande diante da paradeira no mercado interno", conta. Ainda assim, o economista da Fiep lembra que se trata de uma boa notícia para a região. "Quando se exporta manufaturas, é gerado um círculo virtuoso de mais empregos, renda e impostos para a região", completa Zurcher.

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