Câmbio e restrições levam produção para Argentina
A restrição das importações imposta pelo governo argentino desde fevereiro deste ano trouxe efeitos também para o setor de máquinas e implementos agrícolas. A estimativa é de que o mercado argentino fosse responsável pela importação de aproximadamente 5 mil tratores e mil colheitadeiras produzidos no Brasil. Para Carlito Eckert, diretor comercial da Massey Ferguson, essa diminuição ainda não causou impactos significativos à produção da empresa em razão da abertura de novos mercados nas Américas do Sul e Central, que têm compensado as perdas. A expectativa de Eckert é que a restrição seja anulada em breve, tendo em vista a demanda do mercado argentino por maquinário agrícola. Segundo ele, cerca de 40% da produção da Massey no Brasil é exportada.
Já para a Case IH, a restrição resultou na abertura de uma nova fábrica na Argentina, que contou com investimentos de US$ 200 milhões e deve iniciar a produção no primeiro trimestre de 2013. Segundo o vice-presidente da empresa para a América Latina, Mirco Romagnoli, a produção será destinada ao mercado argentino e outros países da América Latina. ''Vamos deixar a fábrica do Brasil para atender a grande demanda do mercado interno'', esclarece.
No caso da Montana Agriculture, a mudança para a Argentina está relacionada ao câmbio. Segundo o diretor presidente da empresa, Gilberto Junqueira Zancope, o atual câmbio brasileiro torna os tratores e pulverizadores produzidos no Brasil os mais caros do mundo e, com isso, sem condições de serem exportados de forma competitiva. ''Estamos vendendo sem margem de lucro para continuar atendendo os mercados. Mas agora colocaremos nossa produção na Argentina para ter mais lucro'', revela. Zancope afirma ainda que as máquinas fabricadas na Argentina poderão atender o mercado do país vizinho e também ser exportadas para Rússia, Ucrânia, África do Sul e demais países da América Latina.
Zancope revela que em 2004, 25% da produção da Montana era exportada. No ano passado, esse número caiu para 10% e a previsão é de que toda a exportação seja eliminada em três anos. ''Esperamos para ver se a situação melhorava, mas agora achamos que não vai voltar'', argumenta. (M.F.)





