Câmbio e produtividade elevam custo do trabalho brasileiro
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
O custo unitário do trabalho (CUT) no País cresceu 9,0% ao ano entre 2002 e 2012, a maior variação na comparação com 11 países feita em estudo divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os principais motivos foram a valorização média de 7,2% do real frente o dólar e a evolução de apenas 0,6% ao ano por hora trabalhada da produtividade do trabalhador brasileiro na década. E também o fato de o País ter apresentado o segundo maior aumento real do salário em moeda doméstica, com 1,8%, atrás apenas dos 2,5% da Coreia do Sul.
Para a CNI, porém, a valorização do real foi o principal problema no período, porque se estendeu pelos primeiros cinco anos do estudo e fez com que os empresários mudassem o foco das exportações para as vendas no mercado interno. Problema que perdeu importância diante da reversão do processo, com o aumento do valor do dólar no País desde 2011.
Assim, o gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato Fonseca, diz que, quando se analisa o CUT, a pequena variação na produtividade do brasileiro no período vira protagonista.
Para o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o problema central é o baixo desempenho educacional no País, o que reduz a produtividade do trabalhador. "Temos uma carga horária de meio período dos estudantes na escola enquanto a maioria dos países com os quais competimos tem aulas de manhã e à tarde", exemplifica.
Zurcher cita que todos os países que tiveram um salto na produtividade se basearam nos investimentos na educação, como os asiáticos e o Chile. "Houve aumento na média dos salários e os trabalhadores merecem ganhar mais, mas esse ganho tem de ser acompanhado de maior produtividade."
Já Fonseca acredita que o desenvolvimento educacional no País é o maior desafio, mas é uma mudança de longo prazo. Por isso, diz que é preciso propor medidas claras ao mercado que resolvam a baixa confiança do empresariado, principalmente porque a indústria não cresce desde 2010. "Se o governo estimular investimentos em infraestrutura e reduzir a burocracia, o custo de produção cai e os empresários se sentem incentivados a investir", diz.
Outro ponto proposto pela CNI é uma revisão da legislação trabalhista que reduza a rotatividade e dê mais segurança jurídica nas relações entre empresários e trabalhador. "O trabalhador não tem hoje interesse em se capacitar por conta e o empresário também não, porque pode ser que treine e perca esse funcionário", conta o executivo.


