Câmbio e energia 'salvam' o PR
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2001
Vânia Casado<br>De Curitiba 
A economia paranaense deve fechar 2001 com crescimento de 6,7% do Produto Interno Bruto (PIB), média superior a dos demais Estados brasileiros. Conforme avaliação do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a economia do Paraná foi impulsionada fortemente pelo desempenho da agropecuária, que cresceu 19,5%; pelo setor industrial, que cresceu 7,7%, e pela indústria de transformação, que cresceu 11,6%.
A projeção do PIB para este ano levou em consideração o desempenho positivo que a economia paranaense teve até o mês de outubro, quando foi beneficiada pelos efeitos da desvalorização cambial e pela não inclusão da região Sul no racionamento de energia elétrica. Porém, nos últimos dois meses o impacto da desaceleração mundial e brasileira sobre a economia paranaense vem sendo sentida com mais nitidez, embora não tenha sido ainda captado pelos indicadores econômicos.
Para 2002, a expectativa dos economistas do órgão é que provavelmente a economia do Paraná terá desempenho positivo. Entre os indicadores que podem frear a economia, o economista do Ipardes, Gilmar Lourenço, aponta o retorno do dólar ao patamar entre R$ 2,30 e R$ 2,40, o que pode prejudicar as exportações.
A queda dos níveis de produção e aumento dos estoques do parque automotivo, que provocou a concessão de férias coletivas nas montadoras Renault e Volkswagen, corresponde a outro indicador, cujos efeitos podem continuar no ano que vem, em decorrência do desaquecimento das economias nacional e internacional.
Para o diretor do Ipardes, Paulo Mello Garcias, o fato é que este ano o Paraná aproveitou as dificuldades da economia para transformá-las em vantagens. Ele lembrou que a forte desvalorização do câmbio, ao invés de desacelerar a economia, impulsionou as exportações de produtos agrícolas e veículos. A desvalorização abriu caminhos para novos produtos serem exportados, caso do milho, aves e suínos.
Gilmar Lourenço ressaltou, no entanto, que não foi o consumo que impulsionou a economia e sim setores produtivos que aproveitaram nichos de mercado proporcionados pela desvalorização cambial para ampliar suas atividades. As exportações do Estado devem somar US$ 5 bilhões este ano. Segundo o técnico do Ipardes, o consumidor paranaense também teve sua renda comprometida com o pagamento de tarifas públicas e direcionou muito pouco do salário para o consumo.


