Câmbio e energia já retraem a indústria
Diversos setores produtivo estão desacelerando a produção por causa da alta do dólar e da crise de energia. A indústria eletroeletrônica começa a frear a produção para aliviar os aumentos de custos provocados pela alta da moeda norte-americana nos componentes importados e compensar em parte a retração de vendas. Desde o dia 8 deste mês até 10 de julho, 1.617 trabalhadores de cinco empresas da Zona Franca de Manaus LG, Brastemp, Sony,Thomson e Philco estarão paralisando suas atividades de forma escalonada, em períodos de 10 a 15 dias, segundo informa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos do Amazonas, Agostinho Corrêa.
Estamos preocupados porque é atípico dar férias coletivas nesse período do ano nas empresas do setor eletroeletrônico, afirma o presidente do sindicato. Ele conta que o sindicato ainda não recebeu notificações de demissões. Mas as preocupações devem aumentar ainda mais a partir da segunda quinzena do mês que vem, quando os trabalhadores voltarão à rotina normal e a indústria terá de absorver os novos impactos da disparada atual do dólar e serão mais visíveis os reflexos da crise energética.
Dados preliminares da Eletros, associação que reúne os fabricantes de eletrônicos de consumo, revelam que as vendas industriais de eletroportáteis, que abrangem cafeteiras, ferros de passar, liquidificadores, secadores de cabelos, entre outros, caíram 33% em maio na comparação com abril e tiveram recuo de 8,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. Nesse mesmo período, o único produto que teve as vendas ampliadas foi o ventilador. É que, neste caso, esse equipamento acaba substituindo o aparelho de ar condicionado que consome mais energia.
Esse é o primeiro impacto do apagão e a primeira queda do ano, diz o presidente da entidade, Paulo Saab. Ao que tudo indica, o quadro poderá se agravar, uma vez que em maio começou a preparação para o período de racionamento. A escalada do dólar é infernal para os fabricantes, afirma um analista do setor.
Mas não é só neste setor que já há retração. A Volkswagen vai suspender a produção por três sábados nos meses de junho e julho e deixar de fabricar 2.250 veículos em Taubaté em razão do racionamento de energia elétrica. Em São José dos Pinhais, no Paraná, a indústria vai dar dez dias de férias coletivas.
Um dos diretores do sindicato de Taubaté, Odemir da Silva, disse que os 6.500 trabalhadores da fábrica não serão prejudicados pela medida. Além da Volks, a Kodak e a Solectron, de São José dos Campos, também optaram pelo cancelamento parcial da produção para baixar o consumo de energia. A Panasonic deu férias coletivas para 500 trabalhadores. A Aços Villares, de Pindamonhangaba, demitiu 50 funcionários para conseguir cumprir a meta. (Das agências)





